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Entrevista com J. K. Rowling
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Você pensou em escrever Harry Potter durante uma viagem de trem. O que aconteceu exatamente naquele dia?
Foi uma sensação estranha. Eu estava no trem e a idéia veio subitamente à minha cabeça. Era como se ela estivesse flutuando por ali, aguardando que alguém a pegasse. Eu fui a escolhida. Foi algo mágico. Eu fiquei excitada como nunca. E percebi que seria muito divertido me tornar escritora.
De onde você tira suas idéias?
Na verdade, não sei. Algumas vezes elas vêm, de repente. Em outras ocasiões, tenho de me sentar e pensar durante uma semana, antes de começar a trabalhar.
Desde quando você escreve?
Desde sempre. Eu produzi duas novelas antes de Harry.
Seus personagens são baseados em pessoas reais?
Eis aí uma questão complicada. A resposta é sim e não. Confesso que Hermione Granger (estudante da escola de mágicos de Hogwarts e amiga de Harry) é mais ou menos como eu era na infância. Ron (melhor amigo de Harry) leva um pouco do jeito de um amigo meu de longa data e o Snape (professor de poções mágicas) foi inspirado em um de meus professores de ginásio, não sei qual deles exatamente.
E de onde você tira os nomes deles?
Eu tenho uma coleção de nomes incomuns, de diferentes lugares. Dumbledor (diretor da escola de Hogwarts), por exemplo, é um palavra do inglês antigo, que significa zumbido de abelha; Hermione é o nome da filha de Helena de Tróia; e Hedwig é um santo da Idade Média.
Você faz pesquisas falando com bruxas reais ou é tudo fruto de sua imaginação?
Nada
de bruxas. Aliás, não conheço nenhuma. Tudo o que está nos meus livros
sobre bruxaria é coisa da minha mente.
O que você gostaria de ver no espelho mágico de Erise?
Minha mãe, que morreu em 1990. Ela era uma leitora compulsiva mas nunca leu nada do que eu escrevia. Então queria vê-la agora e perguntar se não gostaria de folhear Harry Potter.
Você esperava que Harry fosse o sucesso que é?
Não. Eu escrevia sobre coisas que lia quando era jovem. E jamais pensei que as pessoas iam gostar delas, muito menos que pudesse um dia publicá-las.
Qual é o seu preferido da série?
Adoro o capítulo 12, de Harry e a Pedra Filosofal. Mas meus preferidos são A Câmara Secreta e O Cálice de Fogo. Eu tive muita dificuldade para escrevê-los e fiquei orgulhosa de mim mesmo, quando terminei-os.
Você não tem medo de que suas idéias acabem?
De jeito algum. Pode parecer arrogância de minha parte mas não me importo muito com isso. Depois da série, não sei que rumo tomarei. Mas não é o caso de falar disso agora.
Você poderia nos dar alguma pista sobre seu próximo livro. Por exemplo, qual será o título dele?
Bem, todos já sabem, ele se chamará Harry Potter e a Ordem de Fênix. Neste livro, entre outras tantas novidades, Harry mergulhará profundamente no significado da morte. Quais são seus escritores preferidos?
Jane Austen, Vladimir Nabokov e Sidonie-Gabrielle Colette.
Que conselhos você daria aos novos escritores que sentem dificuldades em publicar seus livros?
Eu diria a eles para perseverar. Se você não é reconhecido da primeira vez, tente uma segunda, uma terceira vez. Grandes nomes da literatura mundial tiveram muitos de seus livros rejeitados. Então, se você tiver talento, a receita é não perder a fé.
Você deve ter muitos amigos, não?
Tenho poucos, aqueles que não se afastaram de mim, quando passei por dificuldades financeiras. Acho que, naquela época, as pessoas evitavam se aproximar de mim, porque tinham medo de que lhes pedisse dinheiro. Eu não queria dinheiro, queria alguém para falar, só isso. |
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