17/07/00 - Companhia Pop de Teatro Clássico estréia no dia 31 de julho no Teatro Rubens Côrrea, o espetáculo Desejo de Salomé, de Oscar Wilde (veja também matéria que será publicada na Revista de Teatro da SBAT em agosto, sobre Oscar Wilde), no Rio de Janeiro, RJ.

Com vocês o espetáculo teatral mais sensual da história da dramaturgia universal: Desejo de Salomé, polêmica obra de Oscar Wilde chega aos palcos cariocas para homenagear o autor pelos 100 anos de sua morte e comemorar a estréia da Companhia Pop de Teatro Clássico, dia 31 de julho no Teatro Rubens Corrêa.

Desejo de Salomé trata da essência do desejo humano, em espetáculo que enfatiza uma linguagem extremamente lírica, poética e carregada de paixão e de sexo. Desejo de Salomé se passa durante a festa de aniversário do rei Herodes. De nada adianta a sensualidade das dançarinas exóticas e dos escravos nem a luxúria dos convidados. Tudo gira em torno de Salomé, todos desejam Salomé, mas Salomé só deseja João Batista, e este a rejeita. Esta é a tragédia que se encontra na Bíblia, e nos foi legada em magnífica forma teatral pelo gênio de Oscar Wilde. Em nome da sensualidade, da beleza, do desejo.
Companhia Pop de Teatro Clássico A criação da Companhia Pop de Teatro Clássico é o resultado da volta à cena do diretor teatral Demetrio Nicolau, que, com 50 peças em seu currículo, esteve alguns anos afastado dos palcos. Seu trabalho de re-estréia, A Prosa do Nelson, ocupou o Teatro do Planetário de janeiro a março deste ano. Demetrio Nicolau reuniu 20 jovens atores e atrizes, selecionados entre mais de 150 atores e atrizes, em sua grande maioria recém-formados nas duas das principais escolas de teatro do Rio de Janeiro: a CAL – Casa das Artes de Laranjeiras e a UNIRIO. A Companhia Pop de Teatro Clássico vai atuar em diversas frentes de trabalho, montando os textos clássicos e de grandes autores da dramaturgia nacional e estrangeira, adultos e infantis; realizando leituras, estudos e montagens que atendam as necessidades de escolas da rede pública e particular, e assim fomentando uma futura platéia para os grandes textos, e levando este trabalho também às comunidades carentes, prisões e hospitais. DESEJO DE SALOMÉ inaugura a iniciativa de montagens de grandes autores do teatro adulto. Já para o mês de outubro a Companhia Pop de Teatro Clássico prepara sua segunda estréia, no Teatro Gláucio Gill, com a montagem de outro grande clássico do teatro mundial.
Oscar Wilde faz parte da galeria de autores tornados malditos no seu tempo. As estréias de suas peças, eram verdadeiros acontecimentos sociais, a que acorriam as classes mais abastadas e ilustradas de Londres. No entanto, em 1895, Wilde é acusado do crime de perversão de menores e condenado, "como um exemplo", a dois anos de prisão. Salomé, concluída no ano de 1892, foi proibida pela censura em Londres por apresentar personagens Bíblicos. Sua estréia vai ocorrer em 1896, em Paris, quando Wilde já se encontrava prisioneiro. O sucesso da peça é imediato e é graças a uma montagem ocorrida em Berlim, logo após a sua morte, que seu nome é reabilitado e consagrado na Europa e no mundo.
Elenco: Adriana Monteiro (Salomé) – Eber Inácio (Herodes) – Thales Coutinho (João Batista) e Adolfo Prado –Ana Müller – André De Angelis – Andreia Morais – Claudio Amado – Daniela Piveta – Henrique Pinho – Léo Gama – Mouhamed Harfouch – Patrícia Pinho – Talita Leoneli – Thiago Magalhães – Wilson Belém.
Ficha Técnica: Texto – Oscar Wilde, Direção e Tradução – Demetrio Nicolau, Cenários e Figurinos – Ronald Teixeira, Adequação corpo/cena – Nara Keiserman, Iluminação e Trilha Sonora – Demetrio Nicolau, Preparação Vocal – Rose Gonçalves, Dança do Ventre – Luciana Midlej, Assistente de Direção – Thales Coutinho, Assistente de Cenários e Figurinos – Flávio Graffi, Assessoria de Imprensa – Patrícia Pinho & Companhia Pop de Teatro Clássico, Programação Visual – Maravilha Criações, Direção de Produção – Ludoval Campos, Realização – Companhia POP de teatro Clássico.

Desejo de Salomé - Texto de Oscar Wilde – Direção de Demetrio Nicolau – Com a Companhia Pop de Teatro Clássico.

Teatro Rubens Corrêa - Rua Prudente de Morais, 824 – Tel. (0XX21) 523-9794 - Ipanema - Rio de Janeiro, RJ - Estréia 31 de julho de 2000 - Terças e Quartas: às 21 horas. Preço: R$ 15,00 (Quinze reais)

Assessoria de Imprensa Cia POP de Teatro Clássico - Patricia Pinho – (0XX21) 9239-6287 - e-mail: patipinho@terra.com.br - Ana Paula Müller – (0XX21) 551-8076 / 552-2263

A seguir, para maiores informações sobre a vida e a obra de Oscar Wilde, apresentamos cópia do artigo escrito por Demetrio Nicolau para a Revista de Teatro da SBAT a sair em agosto, contendo também quadros com a obra completa de Wilde, filmografia e principais dados biográficos.

100 anos sem o amor de Oscar Wilde

Demetrio Nicolau tem 48 anos, é autor e diretor teatral. Traduziu e dirige Desejo de Salomé, com estréia marcada para 31/07/2000 no Teatro Rubens Corrêa – Ipanema – Rio de Janeiro. Ascensão e queda Oscar Wilde é considerado o nome mais conhecido da literatura inglesa depois de Shakespeare. Figura apaixonante e controvertida até hoje, dândi, príncipe da moda, terror da aristocracia inglesa, veio a falecer em Paris, no Hôtel d ’Alsace na Rue des Beaux-Arts, n° 13, a 30 de novembro de 1900, doente, pobre e esquecido. Apenas cinco anos antes, no início de 1895, Wilde encontrava-se no ponto culminante de sua vida. No curto período de 40 dias estreava Um Marido Ideal e A Importância de Ser Prudente, ambas obtendo imediato e extraordinário sucesso; um prenúncio de sua eminente desgraça. Quinze dias depois recebe o ofensivo bilhete do Marquês de Queensberry, enfurecido pela paixão que Wilde nutria por seu filho Lord Alfred Douglas. Incitado pelo próprio Alfred Douglas, e contrariando o conselho de inúmeros amigos, Wilde resolve apresentar queixa ao tribunal por injúria e calúnia, contra o Marquês – conhecido autor do conjunto de doze artigos que regulavam as regras do boxe, e que, com pequenas modificações, vigoram até hoje. Graças à influência exercida pela posição social privilegiada do réu, o aristocrata é absolvido e, nesse mesmo dia, Wilde é detido para responder por crimes de natureza sexual, com base nas provas reveladas no julgamento do Marquês de Queensberry. Nos processos que se seguiram foi considerado culpado e condenado a dois anos de prisão com trabalhos forçados. Em 1898, um ano após ser libertado, escreve a André Gide. "Todavia, neste momento estou muito triste: não tenho recebido nada do meu editor em Londres, que me deve dinheiro, e estou realmente na miséria... (...) Já vês como a tragédia da minha vida se tornou ignóbil; o sofrimento é possível, talvez necessário; mas a pobreza, a miséria, isto é que é terrível. Conspurca a alma do homem..."

Salomé e o Desejo

Não conhecia em profundidade o teatro de Wilde, embora soubesse, que devido à natureza específica de sua obra, de ferina crítica à sociedade inglesa da época, era um autor pouco montado no Brasil. Neste ano em que se completam 100 anos de sua morte tive a oportunidade e o grande prazer de ler a obra teatral – apenas 7 peças – com a finalidade de escolher uma que ao mesmo tempo o homenageasse e servisse de estréia para a Companhia Pop de Teatro Clássico, que fundei com cerca de 20 jovens atores e atrizes recém-formados nas duas principais escolas de teatro do Rio de Janeiro: a CAL – Casa das Artes de Laranjeiras e a UNIRIO. A escolha recaiu sobre Salomé, provavelmente a obra mais conhecida de Oscar Wilde e mais representada em todo mundo. Só na Alemanha, por conta da ópera composta por Richard Strauss – com o texto como libreto –, é a peça que possui o maior número de apresentações, superando inclusive as de Shakespeare. Salomé foi escrita em francês em 1891, proibida em Londres em 1893, por apresentar personagens bíblicas, e finalmente encenada por Sarah Bernhardt, em Paris, em 1896. Wilde recebe a notícia da estréia no cárcere. No Brasil, tenho notícia de duas montagens: no início da década de 70, com Helena Ignês, e recentemente com Cristiane Torloni. A peça é riquíssima em leituras e análises. Inspirada no impressionismo de Maeterlink, a ela é creditada a introdução do sadismo no tema da paixão. Fala de lei, sedução, transgressão, mas principalmente de desejo. Desejo, e de um tema caríssimo a Wilde, que é o amor pela juventude. E este indisfarçável amor à juventude acabou por custar-lhe a condenação de que foi vítima. A beleza e a juventude de Salomé são o objeto do desejo. Outras juventudes e belezas também são desejadas. E poucas coisas são mais presentes em nossas vidas, hoje, que o desejo. A propaganda, a mídia e o marketing criam cada vez mais em nós o desejo de consumo, de sucesso e de prazer. Uma faca é passada com luxúria em uma margarina, um ingrediente escorre eroticamente para uma panela... As super-top-models, os super-produtos-de-beleza, os super-carrões... Os programas de TV mostram e falam cada vez mais de sexo. E essa é a atmosfera de Salomé, uma peça escrita em pleno decadentismo francês no final do século passado, e cujos ideais do autor foram julgados e condenados pela sociedade inglesa vitoriana. Mas... do que seria capaz Oscar Wilde, hoje, neste nosso decadentismo de final de século XX?

Obras de Oscar Wilde

Ravena, Poemas, Vera-ou Os Niilistas (Teatro – Estréia em 1883), O Príncipe Feliz e Outras Histórias, A Duquesa de Pádua (Teatro – Estréia em 1891), Uma Casa de Romãs, Intenções, O Fantasma de Canterville, O Crime de Lord Arthur Saville e Outras Histórias, O Retrato de Dorian Gray, O Retrato do Sr. W. H., A Alma do Homem Sob o Socialismo, O Leque de Lady Windermere (Teatro – Estréia em 1892), Salomé (Teatro - Escrita em 1893 e estréia em 1896 em Paris, com Sarah Bernhardt), Uma Mulher Sem Importância (Teatro - Estréia em 1893), A Esfinge, Um Marido Ideal (Teatro – Estréia em 1895), A Importância de Ser Prudente (Teatro – Estréia em 1895), A Balada do Cárcere de Reading, De Profundis

Obras sobre Oscar Wilde

Mais de 50 livros escritos foram escritos sobre ele. Entre os filmes, destacam-se: An Ideal Husband (Um Marido Ideal) – ING 48, dir. Alexander Korda, Fan, The (O Leque de Lady Windemere) – EUA 49, dir. Otto Preminger, Importance of Being Earnest, The (A Importância de Ser Prudente)– ING 52, dir. Anthony Asquith Oscar Wilde – ING 60, dir. Gregory Ratoff , The Trials of Oscar Wilde (Os Crimes de Oscar Wilde) – ING 60, dir. Ken Hughes, Salome’s Last Dance (A Última Dança de Salomé) – ING 87, dir. Ken Russell, Wilde – ING 97, dir. Brian Gilbert.

Breve Cronologia

1854 - 16 outubro. Nasce em Dublim, na casa n° 21 de Westland Row, Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde. Seus pais eram Sir William Robert Wills Wilde e Jane Francesca Elgee, ambos irlandeses.

1876 - 19 abril. Morre seu pai, Sir William Wilde.

1879 - Fixa residência em Londres.

1881 - 24 dezembro. Embarca no Arizona para os Estados Unidos, contratado para fazer uma série de conferências.

1883 - Fevereiro. Primeira visita a Paris, onde passa três meses.

1884 - 29 maio. Casa-se com Constance Lloyd, rica herdeira de Dublim, fixando residência em Chelsea, na Tite Street.

1885 – Junh . Nasce Cyril, seu primeiro filho, que iria morrer em maio de 1915, na França, por ocasião da guerra. Época de grandes dificuldades econômicas para Wilde.

1886 - Novembro. Nasce Vyvyan, seu segundo filho. Começam já a circular rumores sobre seu gênero de vida.

1892 - 20 fevereiro. Estréia no St. James Theatre, de Londres, O Leque de Lady Windermere, com um êxito que continua até hoje.

1894 - Fevereiro. Edição de Salomé, em Londres, com as célebres ilustrações do desenhista Audrey Bearsdley, e em tradução de Lorde Alfred Douglas.

1895 - 3 janeiro. Estréia de Um Marido Ideal, novo e extraordinário êxito. 14 fevereiro. Estréia de A Importância de Ser Prudente, no St. James Theatre, de Londres. 25 maio. Respondendo afirmativamente aos oito quesitos propostos, sobre a culpabilidade de Wilde, o Júri dá ao juiz elementos para condená-lo. Pena: dois anos de prisão com trabalhos forçados. 13 novembro. Wilde é transferido para o cárcere de Reading, na cidade do mesmo nome, capital do Berkshire, onde ficará até o final de sua amarga sentença.

1896 - 7 fevereiro. Falece a mãe de Wilde, em sua residência de Londres. 11 fevereiro. Salomé é levada à cena em Paris, tendo Sarah Bernhardt no papel principal. Wilde recebe no cárcere notícia da estréia.

1897 - 14 maio. Cumprida sua pena, Wilde é posto em liberdade.

1898 - 7 abril. Falece em Gênova sua esposa, Constance May Lloyd. Maio. De Berneval, volta Wilde a Paris, onde de novo se aloja na Rue des Beaux-Arts (Hôtel d'Alsace), onde ficará até o fim de seus dias.

1900 - 30 novembro. Wilde entra em agonia. A chamado de seu amigo Robert Ross, o Padre Cuthbert Dunn ministra-lhe o batismo e a extrema-unção, e Wilde falece às 9:50 h, vitimado por meningite cerebral.

 

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