08/08/00 - Estréia dia 12 de agosto com temporada até final de setembro o espetáculo infantil Procurando Firme de Ruth Rocha, abordando o feminismo com humor e música, no Teatro Ruth Escobar. São Paulo, SP.

Entra em cartaz no próximo dia 12 de agosto, no Teatro Bibi Ferreira, o premiado espetáculo infantil Procurando Firme. O texto, da consagrada escritora Ruth Rocha, foi adaptado pela diretora Neyde Veneziano.

A peça conta a trajetória de uma princesa chamada Linda Flor. Ela mora num reino onde um terrível dragão monta guarda dia e noite. Apesar do nome, a menina não é flor que se cheire: gosta mesmo é de dar cabeçadas. Um dia, desafiando o dragão, sai pelo mundo, atrás não se sabe bem do quê, mas procurando firme.

O caráter da peça possui um toque feminista. A princesa quer desbravar o mundo e ficar longe da repressão em que é submetida. Sob muito humor, “Procurando Firme” exercita o pensamento e o debate na garotada e este é o maior objetivo da diretora. A encenação, respeitando a criança como ser inteligente, utiliza as mesmas técnicas do teatro adulto. Não há didática, pregações ou apelos de participação da platéia. O cenário colorido, os figurinos de época e os números musicais, atingem as crianças maiores pela mensagem e as menores, pelo visual e pelo ritmo. A produção do espetáculo é de primorosa qualidade.

A assistência de direção e as coreografias são de Fernanda Haucke, direção musical de Ney Carrasco, os cenários e figurinos são de Luís Rossi e a iluminação é de Davi de Brito. A peça “Procurando Firme” integra o Projeto Escola (que objetiva aproximar os estudantes à literatura) sendo possível sua apresentação em estabelecimentos educacionais.

Procurando Firme de Ruth Rocha - direção de Neyde Veneziano - com Bel Ribeiro, Charles Geraldi, Gina Tocchetto, Mário Augelli, Rennata Airoldi e Valdir Ramos.

Teatro Bibi Ferreira - Av. Brigadeiro Luís Antônio, 931 - fone:(0XX11) 3105-3129 - sábados e domingos às 16h - até final de setembro.

Ingressos: R$ 12,00 - classificação: a partir de 4 anos - estacionamento (conveniado): Av. Brigadeiro Luís Antônio,759 - R$5,00 - duração: 60 minutos.

Mais informações com: Charles Geraldi / Grupo Já - fone:(0XX11) 577-9460 / 9996-3356 - charange@zaz.com.br Cinira Fiuza Assessoria - fone: (0XX11) 5084-6042 (fonefax) / 5508-0737 - cód. 403 2351 - cinirafiuza@ig.com.br Espetáculo para escolas: João Mil Reservas - fone: (0XX11) 283-4531 / 289-0020.

08/08/00 - O espetáculo de rua Esperando Godot de Samuel Becket, com o Taanteatro Cia. dentro do projeto Arte nas Ruas promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, percorrerão os bairros da cidade durante os meses de agosto, setembro e outubro. São Paulo, SP.

Esperando Godot teve estréia com grande exito dentro do projeto Arte nas Ruas promovida pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Nos meses de agosto, setembro e outubro percorreremos os bairros desta capital. No dia 9 de agosto vamos apresentar para a associação de moradores de rua Minha Rua Minha Casa e no dia 14 deste mês nosso trabalho pode ser visto na TVA Canal14 no programa Em Cartaz, que fará uma entrevista de meia hora com os integrantes da Taanteatro Cia. mostrando também trechos da apresentação.

Isa Gouvea/Taanteatro Cia. - (0XX11) 6694-7559.

Taanteatro apresenta

Esperando Godot de Samuel Beckett - direção Wolfgang Pannek - assistente Isa Gouvea - elenco: Antônio Velloso, Valter Felipe, Rodrigo Garcia, Domingos Nunez e Danilo Velloso.

Esperando Godot funde a comédia do music-hall com divagações sobre a natureza humana. Mostra dois andarilhos numa estrada do interior. Perto de uma árvore esperam a chegada de alguém chamado Godot. A presente encenação desloca "Esperando Godot" do espaço teatral convencional e devolve este clássico da dramaturgia moderna, ao cenário que o inspirou: a Rua - elo e passagem entre um passado irrecuperável e um futuro que sempre nos escapa - habitat dos sem-teto, sem-nome, sem-salvação. Interferência no cotidiano, a encenação institui um diálogo - sem estetização, sem palhaçada - com transeuntes, com cidadãos brasileiros que talvez nunca ouviram falar em Samuel Beckett.

Godot...será que ele vem? Será que não? Talvez virá... amanhã. Diariamente, o povo brasileiro sente na carne a esperança traída. Diariamente, experiência a relação cáustica entre dominador e dominado. Sua sede de salvação, sua ânsia de além-mundos são inesgotáveis. Atualidade social e metafísica e uma incrível comicidade tornam "Esperando Godot" um grande espetáculo popular.

Samuel Becket(1906 a 1989) - O escritor irlandês tornou-se mundialmente famoso com a peça Esperando Godot, apresentada pela primeira vez em 1953. Em 1969 Beckett recebeu o Prêmio Nobel. Influenciou uma geração de dramaturgos como Harold Pinter, Tom Stoppard e Edward Albee. A obra de Beckett ataca sistemas de comunicação inclusive a própria linguagem. Mais do que representar a superfície inteligível da vida, o autor revela suas inconsistências. Disseca a consciência humana e os sistemas pelas quais tentamos organizar nossas vidas.

Wolfgang Pannek - O diretor de teatro Wolfgang Pannek nasceu na Alemanha, onde dirigiu peças teatrais de sua autoria (Felix, o Felizardo - 1987; Curto Comentário de um Morto - 1990 e Palavra-Sangue-Eu - 1991). Desde 1992 reside em São Paulo e integra como ator e diretor a Taanteatro Cia.. Traduziu vários textos teatrais para espetáculos realizados no Brasil. Em 1994 tornou-se diretor executivo da produtora de eventos e projetos artísticos Transcultura. Foi curador dos festivais internacionais Mostra 95 Butoh e Teatro Pesquisa realizado em São Paulo, Curitiba e Brasília e Artaud 100 anos (1996/São Paulo). Produziu o espetáculo de teatro-dança A Conquista (direção Min Tanaka/Japão) apresentado em São Paulo (1996) e em Tóquio/Japão (1998). No Brasil dirigiu os espetáculos Caim Abel (1994), Homem Branco e Cara Vermelha (1998), Se Fores a Frankfurt (1999) e Primeiro Fausto (1999).

Valter Felipe - Iniciou sua carreira de ator em 1986 e trabalhou até 1990 sob a direção de diversos diretores paulistas, principalmente Juçara Morai. Atuou sob a direção do coreógrafo japonês Min Tanaka em A Conquista, espetáculo apresentado em São Paulo (1996) e em Tóquio/Japão (1998). Como solista apresentou In Billie - scenic body in 14 hay kays (Plan B Theatre - Tóquio/ Japão - 1998), Variação Para Bola, Shiva e Madalena (Teatro FAAP, 1993) , A Noiva do Apocalipse (1991) e a performances Não. Integra a Taanteatro Cia. desde 1991 e participou como ator de todas as montagens de elenco da companhia: Matéria 4. Forma (1999), Se Fores a Frankfurt (1999), Cantos de Maldoror(1999), Homem Branco e Cara Vermelha(1998), Histórias que os Ossos Cantam (1997), Artaud - Onde Deus Corre com Olhos de uma Mulher Cega(1996), í - uma ópera chips(1996), Ao Pé da Montanha(1993), O Livro dos Mortos de Alice (1992) e O Quadrado que Ri (1991). Atua sob a direção de Fernando Anhê nos espetáculos Imago (1999) e Dois (2000) .

Antônio Velloso - Formado em Artes Plásticas. Ator e diretor. Trabalha no teatro paulista desde 1974 e participou de inúmeras montagens. Colaborou com diretores com Jocely Trivelato, Ivo Treff, Ivan Feijó (Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos, 1989) , Valéria Di Pietro (Libertinagem a Estrela da Manhã), Pascoal da Conceição (Mais Quero Asno que me Carregue que Cavalo que me Derrube, 1993), Carlos Pezzi (Medéia, 1995) , Paolino Raffanti (Os Saltimbancos). Participa das realizações da Taanteatro Cia. desde 1998 atuando sob a direção de Wolfgang Pannek em Homem Branco e Cara Vermelha e de Maura Baiocchi em Cantos de Maldoror.

Domingos Nunez - Licenciado e Mestre em Letras, iniciou sua carreira teatral em Florianópolis, em 1982. Em São Paulo atuou em "Gitanice ou Farsa de Amor para Guinhol", baseado em Garcia Lorca, e dirigiu na UNESP a ópera "As Bodas de Fígaro", de Mozart, apresentada no Teatro SESC Ipiranga. Desde 1998 é integrante da Taanteatro Cia., na qual atuou em Cantos de Maldoror, (Direção: Maura Baiocchi) e Primeiro Fausto e dirigido por Wolfgang Pannek (1999)'.

Rodrigo Garcia - Formada pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Curso de Artes Cênicas - Bacharelado em Direção Teatral (1994). Dirigiu os espetáculos Barba Azul, Édipo Rei de Sófocles (1992) e Os Espectros de Henrik Ibsen (1992). Entre 1989 e 1999 trabalhou também como ator em diversos espetáculos sob a direção de diretores como Wolfgang Pannek, Min Tanaka, Maura Baiocchi e Ana Maria Amaral. Foi diretor técnico da Mostra 95 Butoh e Teatro Pesquisa em Curitiba (1995) e do espetáculo No Alvo (1997) sob direção de Luciano Chirolli. Desde 1993 integra como ator, desenhista de iluminação e diretor de cena as atividades da Taanteatro Cia.

O ESTADO DE S. PAULO / Beth Nêspoli "Esperando Godot" ganha as ruas de SP "Há muitos personagens nas ruas brasileiras que lembram a figura desses andarilhos, gente que nunca sai do lugar, mas espera por algum tipo de salvação", diz o diretor alemão Pannek. São Paulo - Os moradores de rua são os principais convidados da encenação do diretor alemão Wolfgang Pannek para a peça Esperando Godot, do irlandês Samuel Beckett (1906-1989). O hábitat dos sem-teto, a rua, foi o cenário escolhido pelo diretor para a montagem que estréia nesta sexta-feira, ao meio-dia, na Galeria da Consolação, integrando o projeto da Secretaria Municipal de Cultura Arte na Rua. Sábado, no mesmo horário, a peça será apresentada no Parque da Aclimação e domingo, às 13 horas, na Praça Nossa Senhora Aparecida, em Moema. Esperando Godot fez sua estréia mundial em Paris em 1953, sob direção de Roger Blin, com rápida repercussão internacional e imediato sucesso de público e crítica. Dois anos depois, era encenada na Inglaterra e em vários outros países, até no Brasil, numa montagem da Escola de Arte Dramática (EAD), dirigida por Alfredo Mesquita e elogiada por Décio de Almeida Prado. Quase meio século depois da estréia mundial, o texto já foi dissecado por centenas de montagens, diferentes leituras e análises críticas. Muitos diretores, atores e ensaístas contribuíram para tornar conhecidas as imagens dos dois andarilhos, Vladimir e Estragon, que tentam distrair-se com atos cotidianos - como tirar botas, comer cenoura e relembrar o passado - para passar o tempo, enquanto esperam Godot. Quem é Godot? Nem eles sabem ao certo quem é, quando vem e se vem realmente. No entanto, somente essa tênue esperança pode dar algum sentido a suas vidas. "Essa é uma fábula que se adapta muito bem ao Brasil", diz Pannek. "Há muitos personagens nas ruas brasileiras que lembram a figura desses dois andarilhos, gente que nunca sai do lugar, está sempre debaixo da ponte, mas espera por algum tipo de salvação". O diretor lembra ainda a proliferação das igrejas evangélicas como ponto de contato entre a esperança de Vladimir e Estragon e dos sem-perspectiva em nosso País. Por isso mesmo, em sua concepção, Pannek não pretende fazer nenhuma outra interferência na peça, a não ser levá-la para as ruas. "São muitas as qualidades intrínsecas desse texto e não precisam ser realçadas pela encenação", acredita. "Não é preciso ter lido Hegel para compreender e emocionar-se com essa fábula sutil, inteligente e divertida". Pelo contrário. Segundo o diretor, levar Godot para o público das ruas pode ser uma forma de resgatar o seu frescor original. "Só a platéia parisiense da estréia pôde usufruir a peça como Beckett queria, isto é, sem saber se Godot chega ou não, sofrendo o impacto de uma linguagem nova para a época". Antes da estréia de amanhã, os atores Antônio Veloso (Vladimir), Valter Felipe (Estagon), Domingos Nunez (Posso), Rodrigo Garcia (Lucky) e Danilo Veloso (menino) fizeram apresentações nas ruas de alguns bairros. "Quando Posso e Lucky entraram em cena, parte do público achou que finalmente Godot chegava". A solidão marca a vida dos personagens de Godot. Não só dos dois andarilhos, mas também de Posso e Lucky, o primeiro um patrão violento que traz o criado atado por uma corda. Como observa o crítico Décio de Almeida Prado, os personagens estão ligados pelo vínculo mais poderoso que se possa imaginar: o medo da solidão. Até o aparentemente seguro de si Posso diz: "Pois é isso, não posso dispensar por muito tempo a companhia de meus semelhantes". Pannek não teme a natural dispersão das ruas, agravada pelo fato de os atores contracenarem no mesmo nível do público, sem a utilização de um tablado, o que certamente limita o número de espectadores com boa visão do espetáculo. "Nosso objetivo é realizar uma experiência artística e não comercial, por isso não estamos preocupados com o número de espectadores; se prendermos a atenção de alguns, já será muito bom". Fundador da Companhia Taanteatro, Pannek vive em São Paulo desde 1992, onde dirigiu Homem Branco e Cara Vermelha e Primeiro Fausto, entre outros espetáculos. Depois das apresentações deste fim de semana, a Taanteatro vai seguir apresentando a peça em outras ruas da cidade. "O ideal é conseguir uma certa desteatralização; prender a atenção de um público que, num primeiro momento não saiba se aquilo é teatro ou não e, além disso, nunca tenha ouvido falar de Beckett"
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