
Décio de Almeida Prado
(14 de agosto de 1917 - 4 de fevereiro de 2000)
"O ponto de partida em arte, pelo menos o meu ponto de partida, é que a obra de arte nunca morre."
Nascido em São Paulo, formado em Filosofia, Ciências Sociais e Direito pela USP, em 1941 foi convidado por Alfredo Mesquita, para ser crítico teatral da revista Clima, onde trabalhavam também, sua esposa Ruth, Antônio Cândido como crítico literário e Paulo Emílio Salles Gomes como crítico de cinema; depois foi levado pelo mesmo Alfredo Mesquita para trabalhar no jornal O Estado de São Paulo como crítico teatral. Naquela época vivia-se o início da formação do teatro moderno brasileiro, ainda não existia televisão e Ziembinski havia dirigido no ano de 1943 aquele que seria o marco do teatro moderno no Brasil, a peça Vestido de Noiva de Nelson Rodrigues, no Rio de Janeiro. Até então o Teatro Brasileiro era dominado por comédias do estilo Vaudeville, leves, que seguiam a encenação centranda na improvisação de um ator principal. Décio, culto, apreciador das artes e consciente da importância delas na vida, captou esse momento de tranformação e sua importância única para formação de um teatro que pudesse expor conceitos e debates, enfim um teatro de idéias. E abarcou suas forças, como muitos o fizeram na época, na defesa, consolidação e permanência desse teatro. Através de suas críticas, imparciais e sem qualquer ranço pessoal ou de vaidade, onde sempre o que estava sendo analisado era a encenação e suas idéias, e mesmo quando essas críticas eram negativas, louvava a iniciativa e defendia a firmação do teatro brasileiro como expressão de arte e idéias. Ao estrear uma peça de teatro era comum, os artistas não dormirem a véspera da publicação da crítica de Décio, esperando por sua avaliação. Em 1943 forma o Grupo Universitário de Teatro em São Paulo, onde chega a dirigir a jovem atriz Cacilda Becker antes dela se tornar o grande mito. Mas foi como crítico que Décio se firma e tem o privilêgio de acompanhar o teatro em suas fases mais importantes e as grandes figuras de seu início, Vestido de Noiva, Ziembinski, o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), Alfredo Mesquita, Cacilda Becker, Teatro de Arena, Teatro Oficina, Sérgio Cardoso entre muitos nomes, peças e grupos. Durante o regime militar preside a Comissão Estadual de Teatro, em São Paulo, onde além de tentar resguardar a classe teatral, tenta acalmar a ala mais esquerdista dos artistas. Após desentendimentos resolve nunca mais voltar a fazer crítica teatral se dedicando então ao Suplemento Literário do jornal do O Estado de São Paulo onde permaneceu por dez anos. Mas mesmo assim continuou a publicar livros sobre o teatro como:
- João Caetano (ed. Perspectiva, R$11,00, 1964).
- João Caetano: o ator, o empresário, o repertório (ed. Edusp, 1972).
- João Caetano e a Arte do Ator (ed. Ática, R$25,80, 1984).
- Procópio Ferreira (ed. Ática, 1984).
- O Teatro Brasileiro Moderno (ed. Perspectiva, R$15,00, 1988).
- Peças, Pessoas e Personagens - O Teatro de Procópio a Cacilda (ed. Companhia das Letras, R$19,00, 1993).
- O Teatro de Anchieta a Alencar (ed. Perspectiva, R$21,00, 1993).
- Exercício Findo (ed. Perspectiva, R$11,00).
- O melhor teatro de GianFrancesco Guarnieri (ed. Global, R$25,00).
- Ensaio: Seres, Coisas, Lugares (ed.Cia das Letras, R$22,00).
- História Concisa do Teatro Brasileiro (ed. Edusp, 1999).
Décio de Almeida Prado faleceu na madrugada do dia 4 de fevereiro de 2000, de infarto, em sua casa no bairro paulistano do Pacaembu.
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