# 10 melhores filmes brasileiros de todos os tempos (lista definitiva)

> A lista "10 melhores filmes brasileiros de todos os tempos" inclui obras como 'Limite' (1931), de Mario Peixoto, e 'Bacurau' (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. A seleção prioriza critérios estéticos e históricos, destacando produções que marcaram o cinema nacional por inovação e relevância cultural.

*Teatro Brasileiro · Análises e Críticas · 29 de junho de 2026 · Rogério Itamar*

Uma seleção pessoal e fundamentada dos 10 melhores filmes brasileiros de todos os tempos — de 'Limite' (1931) a 'Bacurau' (2019). Cada escolha carrega um critério estético e histórico, sem complacência com o nacional.

Escolher os melhores filmes brasileiros de todos os tempos é um exercício de memória e paixão crítica. Não se trata de aplaudir tudo que é nacional, mas de reconhecer as obras que, em diferentes momentos, tensionaram a linguagem do cinema e nos forçaram a olhar o Brasil de outro jeito. A lista que apresento aqui dialoga com a tradição, desde o cinema mudo de Mário Peixoto até a distopia sertaneja de 'Bacurau', e com os critérios da Abraccine, que em 2015 elegeu os 100 maiores filmes nacionais. Vou além: cada título é justificado por uma cena, um plano ou uma escolha de montagem que o torna indispensável. Prepare-se para discordar, é sinal de que o cinema brasileiro está vivo.

## 1. Limite (1931), de Mário Peixoto

'Limite' é o ponto zero do cinema brasileiro de invenção. Mário Peixoto, com apenas 23 anos, filmou um poema visual sobre três náufragos que flutuam à deriva no mar. A montagem, inspirada no cinema soviético de Eisenstein, cria uma temporalidade hipnótica: planos do oceano se alternam com flashbacks que nunca explicam tudo. A fotografia em preto e branco de Edgar Brasil é de uma textura única, quase tátil. Não por acaso, a Abraccine colocou 'Limite' em primeiro lugar na lista dos 100 melhores filmes brasileiros. É um filme que não se entrega de imediato, exige que o espectador naufrague junto.

## 2. Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha

Glauber Rocha condensou o Cinema Novo em uma epopeia de 125 minutos. O filme segue o vaqueiro Manuel (Geraldo Del Rey) que, após matar o patrão, peregrina entre o messianismo de São Sebastião e o cangaço de Corisco. A cena do sertão queimado, com a trilha de Villa-Lobos e a montagem frenética, é uma declaração de guerra estética: o subdesenvolvimento como forma. Glauber não filma o Brasil real, filma o Brasil mítico, e é isso que faz do filme um clássico universal. 'Deus e o Diabo' foi incluído na lista da revista Sight & Sound como um dos 100 melhores filmes de todos os tempos.

## 3. Central do Brasil (1998), de Walter Salles

Walter Salles transformou uma história de redenção em um road movie que atravessa o Brasil profundo. Dora (Fernanda Montenegro), uma ex-professora que escreve cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, é sequestrada pelo menino Josué (Vinícius de Oliveira) em uma jornada ao Nordeste. O que poderia ser sentimentalismo se salva pela direção de atores e pelo olhar seco de Salles: a cena em que Dora lê a carta no ônibus, com o rosto em close, é uma aula de contenção dramática. Fernanda Montenegro foi indicada ao Oscar, e o filme levou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.

## 4. São Paulo S.A. (1965), de Luiz Sérgio Person

Antes de 'Terra em Transe', Person já dissecava a modernização brasileira com bisturi. O filme acompanha Carlos (Walmor Chagas), um executivo que se desumaniza na engrenagem do capitalismo paulistano. A sequência inicial, com o protagonista andando pelas ruas de São Paulo ao som de 'Garota de Ipanema' tocada em um órgão eletrônico, é um retrato melancólico da classe média. Person usa a montagem paralela para mostrar o vazio existencial por trás da prosperidade. A cena final, com o rosto de Carlos desfigurado pelo vidro quebrado, é uma das mais fortes do cinema brasileiro.

## 5. Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos

Nelson Pereira dos Santos adaptou Graciliano Ramos com uma fidelidade que é, paradoxalmente, liberdade criativa. O filme narra a saga da família de retirantes de Fabiano (Átila Iório) e Sinhá Vitória (Maria Ribeiro) fugindo da seca. A fotografia de Luiz Carlos Barreto é quase documental, mas a montagem constrói uma poesia da miséria: o plano da cachorra Baleia morrendo, com a câmera fixa no chão de terra batida, é de uma dignidade comovente. 'Vidas Secas' foi eleito o segundo melhor filme brasileiro pela Abraccine.

## 6. O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla

Sganzerla fez do cinema marginal uma estética do lixo e do kitsch. O filme é um falso documentário sobre o bandido que aterrorizou São Paulo nos anos 1960, mas é na verdade um ataque à sociedade de consumo. A montagem colagem, com letreiros e vinhetas de TV, antecipa o cinema pós-moderno. A cena em que o bandido (Paulo Villaça) discursa nu em frente à televisão, com a trilha de rock, é uma sátira feroz ao moralismo brasileiro. É o filme que melhor representa o espírito anárquico do Cinema Marginal.

## 7. Bacurau (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

'Bacurau' é o faroeste brasileiro que virou alegoria política. A trama se passa em um povoado do sertão que, após a morte de dona Carmelita, descobre que foi apagado do mapa e está sendo caçado por turistas estrangeiros. A mistura de gêneros, faroeste, ficção científica, filme de terror, funciona porque a direção nunca perde o pé no realismo social. A cena do drone que sobrevoa o povoado, com a trilha de Tom Zé, é uma metáfora do colonialismo contemporâneo. O filme ganhou o Prêmio do Júri em Cannes e foi um dos fenômenos de bilheteria do cinema nacional recente.

## 8. O Som ao Redor (2012), de Kleber Mendonça Filho

Antes de 'Bacurau', Kleber Mendonça Filho já havia feito um retrato implacável da classe média recifense. O filme acompanha a rotina de uma rua de classe média alta que é perturbada pela chegada de uma empresa de segurança privada. A montagem, que alterna o cotidiano doméstico com o passado escravocrata, cria uma tensão que nunca se resolve. A cena do cachorro latindo para o portão, com o som ambiente amplificado, é uma aula de suspense. 'O Som ao Redor' foi eleito o melhor filme brasileiro da década de 2010 por várias críticas.

## 9. Pixote: A Lei do Mais Fraco (1981), de Hector Babenco

Babenco filmou a infância perdida nas ruas de São Paulo com um realismo que beira o documental. O filme acompanha Pixote (Fernando Ramos da Silva), um menino de rua que, após fugir da Febem, se envolve com o crime e o tráfico. A cena do assassinato do amigo, com a câmera fixa no rosto de Pixote, é de uma violência que não precisa de sangue. O filme foi indicado ao Globo de Ouro e projetou Babenco internacionalmente. Fernando Ramos da Silva, infelizmente, morreu assassinado aos 19 anos, repetindo a tragédia do personagem.

## 10. Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund

'Cidade de Deus' é o filme que apresentou o Brasil dos anos 1960 ao mundo, mas é mais do que um retrato sociológico. A direção de Meirelles e Lund usa uma montagem acelerada, com cortes rápidos e câmera na mão, que traduz a energia do Rio de Janeiro. A cena da 'cena do galo', com o plano-sequência que persegue o personagem Busca-Pé (Alexandre Rodrigues), é uma das mais virtuosas do cinema contemporâneo. O filme foi indicado a quatro Oscars e entrou para a lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos da revista 'Time'.

## FAQ

### Quais são os 30 melhores filmes brasileiros?

A Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) publicou em 2015 uma lista com os 100 melhores filmes brasileiros. Os 30 primeiros incluem 'Limite', 'Vidas Secas', 'São Paulo S.A.', 'Deus e o Diabo na Terra do Sol', 'O Bandido da Luz Vermelha', 'Central do Brasil', 'Pixote', 'Cidade de Deus', 'O Som ao Redor' e 'Bacurau', entre outros.

### Quais são os 20 filmes brasileiros mais assistidos?

Os filmes brasileiros mais assistidos em bilheteria incluem 'Minha Mãe é uma Peça 3' (11,6 milhões de espectadores), 'Nada a Perder' (12,1 milhões), 'Tropa de Elite 2' (11,1 milhões) e 'Os Dez Mandamentos' (11,3 milhões). A lista é dominada por comédias e filmes religiosos, não necessariamente os melhores artisticamente.

### Qual o melhor filme brasileiro de todos os tempos?

Para a crítica especializada, 'Limite' (1931), de Mário Peixoto, é o maior filme brasileiro, segundo a lista da Abraccine. Para o público geral, 'Central do Brasil' e 'Cidade de Deus' são os mais reconhecidos internacionalmente.

### Quais filmes brasileiros ganharam Oscar?

Até 2025, nenhum filme brasileiro ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. 'Central do Brasil' (1998), 'Cidade de Deus' (2002) e 'O Que É Isso, Companheiro?' (1997) foram indicados, mas não venceram. 'Cidade de Deus' recebeu quatro indicações, incluindo Melhor Diretor.

### Qual o filme brasileiro mais cultuado?

'Limite' é o mais cultuado entre cinéfilos e críticos, mas 'O Bandido da Luz Vermelha' e 'Macunaíma' (1969) também têm status de cult. 'Limite' ficou perdido por décadas e só foi restaurado nos anos 1970.

### Como escolher um filme brasileiro para assistir?

Se você quer um clássico acessível, comece por 'Central do Brasil'. Se prefere experimentalismo, veja 'Limite'. Para política e alegoria, 'Bacurau' ou 'Deus e o Diabo na Terra do Sol'. Para ação e violência, 'Cidade de Deus' ou 'Pixote'.

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Fonte (canonical): https://www.teatrobrasileiro.com.br/analises-e-criticas/10-melhores-filmes-brasileiros-de-todos-os-tempos-lista-definitiva/
