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10 melhores filmes brasileiros de todos os tempos (lista definitiva)

ResumoA lista "10 melhores filmes brasileiros de todos os tempos" inclui obras como 'Limite' (1931), de Mario Peixoto, e 'Bacurau' (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. A seleção prioriza critérios estéticos e históricos, destacando produções que marcaram o cinema nacional por inovação e relevância cultural.

Uma seleção pessoal e fundamentada dos 10 melhores filmes brasileiros de todos os tempos — de 'Limite' (1931) a 'Bacurau' (2019). Cada escolha carrega um critério estético e histórico, sem complacência com o nacional.

Rogério ItamarPublicado em Atualizado 7 min de leitura
Checklist de segurança em set de filmagem   10 itens essenci
Foto:Checklist de segurança em set de filmagem 10 itens essenci · Teatro Brasileiro

Escolher os melhores filmes brasileiros de todos os tempos é um exercício de memória e paixão crítica. Não se trata de aplaudir tudo que é nacional, mas de reconhecer as obras que, em diferentes momentos, tensionaram a linguagem do cinema e nos forçaram a olhar o Brasil de outro jeito. A lista que apresento aqui dialoga com a tradição, desde o cinema mudo de Mário Peixoto até a distopia sertaneja de 'Bacurau', e com os critérios da Abraccine, que em 2015 elegeu os 100 maiores filmes nacionais. Vou além: cada título é justificado por uma cena, um plano ou uma escolha de montagem que o torna indispensável. Prepare-se para discordar, é sinal de que o cinema brasileiro está vivo.

1. Limite (1931), de Mário Peixoto

'Limite' é o ponto zero do cinema brasileiro de invenção. Mário Peixoto, com apenas 23 anos, filmou um poema visual sobre três náufragos que flutuam à deriva no mar. A montagem, inspirada no cinema soviético de Eisenstein, cria uma temporalidade hipnótica: planos do oceano se alternam com flashbacks que nunca explicam tudo. A fotografia em preto e branco de Edgar Brasil é de uma textura única, quase tátil. Não por acaso, a Abraccine colocou 'Limite' em primeiro lugar na lista dos 100 melhores filmes brasileiros. É um filme que não se entrega de imediato, exige que o espectador naufrague junto.

2. Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha

Glauber Rocha condensou o Cinema Novo em uma epopeia de 125 minutos. O filme segue o vaqueiro Manuel (Geraldo Del Rey) que, após matar o patrão, peregrina entre o messianismo de São Sebastião e o cangaço de Corisco. A cena do sertão queimado, com a trilha de Villa-Lobos e a montagem frenética, é uma declaração de guerra estética: o subdesenvolvimento como forma. Glauber não filma o Brasil real, filma o Brasil mítico, e é isso que faz do filme um clássico universal. 'Deus e o Diabo' foi incluído na lista da revista Sight & Sound como um dos 100 melhores filmes de todos os tempos.

3. Central do Brasil (1998), de Walter Salles

Walter Salles transformou uma história de redenção em um road movie que atravessa o Brasil profundo. Dora (Fernanda Montenegro), uma ex-professora que escreve cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, é sequestrada pelo menino Josué (Vinícius de Oliveira) em uma jornada ao Nordeste. O que poderia ser sentimentalismo se salva pela direção de atores e pelo olhar seco de Salles: a cena em que Dora lê a carta no ônibus, com o rosto em close, é uma aula de contenção dramática. Fernanda Montenegro foi indicada ao Oscar, e o filme levou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.

4. São Paulo S.A. (1965), de Luiz Sérgio Person

Antes de 'Terra em Transe', Person já dissecava a modernização brasileira com bisturi. O filme acompanha Carlos (Walmor Chagas), um executivo que se desumaniza na engrenagem do capitalismo paulistano. A sequência inicial, com o protagonista andando pelas ruas de São Paulo ao som de 'Garota de Ipanema' tocada em um órgão eletrônico, é um retrato melancólico da classe média. Person usa a montagem paralela para mostrar o vazio existencial por trás da prosperidade. A cena final, com o rosto de Carlos desfigurado pelo vidro quebrado, é uma das mais fortes do cinema brasileiro.

5. Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos

Nelson Pereira dos Santos adaptou Graciliano Ramos com uma fidelidade que é, paradoxalmente, liberdade criativa. O filme narra a saga da família de retirantes de Fabiano (Átila Iório) e Sinhá Vitória (Maria Ribeiro) fugindo da seca. A fotografia de Luiz Carlos Barreto é quase documental, mas a montagem constrói uma poesia da miséria: o plano da cachorra Baleia morrendo, com a câmera fixa no chão de terra batida, é de uma dignidade comovente. 'Vidas Secas' foi eleito o segundo melhor filme brasileiro pela Abraccine.

6. O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla

Sganzerla fez do cinema marginal uma estética do lixo e do kitsch. O filme é um falso documentário sobre o bandido que aterrorizou São Paulo nos anos 1960, mas é na verdade um ataque à sociedade de consumo. A montagem colagem, com letreiros e vinhetas de TV, antecipa o cinema pós-moderno. A cena em que o bandido (Paulo Villaça) discursa nu em frente à televisão, com a trilha de rock, é uma sátira feroz ao moralismo brasileiro. É o filme que melhor representa o espírito anárquico do Cinema Marginal.

7. Bacurau (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

'Bacurau' é o faroeste brasileiro que virou alegoria política. A trama se passa em um povoado do sertão que, após a morte de dona Carmelita, descobre que foi apagado do mapa e está sendo caçado por turistas estrangeiros. A mistura de gêneros, faroeste, ficção científica, filme de terror, funciona porque a direção nunca perde o pé no realismo social. A cena do drone que sobrevoa o povoado, com a trilha de Tom Zé, é uma metáfora do colonialismo contemporâneo. O filme ganhou o Prêmio do Júri em Cannes e foi um dos fenômenos de bilheteria do cinema nacional recente.

8. O Som ao Redor (2012), de Kleber Mendonça Filho

Antes de 'Bacurau', Kleber Mendonça Filho já havia feito um retrato implacável da classe média recifense. O filme acompanha a rotina de uma rua de classe média alta que é perturbada pela chegada de uma empresa de segurança privada. A montagem, que alterna o cotidiano doméstico com o passado escravocrata, cria uma tensão que nunca se resolve. A cena do cachorro latindo para o portão, com o som ambiente amplificado, é uma aula de suspense. 'O Som ao Redor' foi eleito o melhor filme brasileiro da década de 2010 por várias críticas.

9. Pixote: A Lei do Mais Fraco (1981), de Hector Babenco

Babenco filmou a infância perdida nas ruas de São Paulo com um realismo que beira o documental. O filme acompanha Pixote (Fernando Ramos da Silva), um menino de rua que, após fugir da Febem, se envolve com o crime e o tráfico. A cena do assassinato do amigo, com a câmera fixa no rosto de Pixote, é de uma violência que não precisa de sangue. O filme foi indicado ao Globo de Ouro e projetou Babenco internacionalmente. Fernando Ramos da Silva, infelizmente, morreu assassinado aos 19 anos, repetindo a tragédia do personagem.

10. Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund

'Cidade de Deus' é o filme que apresentou o Brasil dos anos 1960 ao mundo, mas é mais do que um retrato sociológico. A direção de Meirelles e Lund usa uma montagem acelerada, com cortes rápidos e câmera na mão, que traduz a energia do Rio de Janeiro. A cena da 'cena do galo', com o plano-sequência que persegue o personagem Busca-Pé (Alexandre Rodrigues), é uma das mais virtuosas do cinema contemporâneo. O filme foi indicado a quatro Oscars e entrou para a lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos da revista 'Time'.

FAQ

Quais são os 30 melhores filmes brasileiros?

A Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) publicou em 2015 uma lista com os 100 melhores filmes brasileiros. Os 30 primeiros incluem 'Limite', 'Vidas Secas', 'São Paulo S.A.', 'Deus e o Diabo na Terra do Sol', 'O Bandido da Luz Vermelha', 'Central do Brasil', 'Pixote', 'Cidade de Deus', 'O Som ao Redor' e 'Bacurau', entre outros.

Quais são os 20 filmes brasileiros mais assistidos?

Os filmes brasileiros mais assistidos em bilheteria incluem 'Minha Mãe é uma Peça 3' (11,6 milhões de espectadores), 'Nada a Perder' (12,1 milhões), 'Tropa de Elite 2' (11,1 milhões) e 'Os Dez Mandamentos' (11,3 milhões). A lista é dominada por comédias e filmes religiosos, não necessariamente os melhores artisticamente.

Qual o melhor filme brasileiro de todos os tempos?

Para a crítica especializada, 'Limite' (1931), de Mário Peixoto, é o maior filme brasileiro, segundo a lista da Abraccine. Para o público geral, 'Central do Brasil' e 'Cidade de Deus' são os mais reconhecidos internacionalmente.

Quais filmes brasileiros ganharam Oscar?

Até 2025, nenhum filme brasileiro ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. 'Central do Brasil' (1998), 'Cidade de Deus' (2002) e 'O Que É Isso, Companheiro?' (1997) foram indicados, mas não venceram. 'Cidade de Deus' recebeu quatro indicações, incluindo Melhor Diretor.

Qual o filme brasileiro mais cultuado?

'Limite' é o mais cultuado entre cinéfilos e críticos, mas 'O Bandido da Luz Vermelha' e 'Macunaíma' (1969) também têm status de cult. 'Limite' ficou perdido por décadas e só foi restaurado nos anos 1970.

Como escolher um filme brasileiro para assistir?

Se você quer um clássico acessível, comece por 'Central do Brasil'. Se prefere experimentalismo, veja 'Limite'. Para política e alegoria, 'Bacurau' ou 'Deus e o Diabo na Terra do Sol'. Para ação e violência, 'Cidade de Deus' ou 'Pixote'.

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