# 7 diretoras brasileiras revolucionárias que transformaram o cinema

> As diretoras brasileiras Helena Solberg, Renata Martins e outras cinco cineastas revolucionaram o cinema nacional ao produzir obras fora do eixo Rio-São Paulo. Essas artistas colocaram em cena vozes indígenas, negras e periféricas, transformando a narrativa cinematográfica brasileira com trajetórias e filmes essenciais que ampliaram a representatividade.

*Teatro Brasileiro · Análises e Críticas · 08 de julho de 2026 · Sirlene Damasceno*

De Helena Solberg a Renata Martins, estas 7 diretoras brasileiras revolucionaram o cinema nacional com obras que saíram do eixo Rio-São Paulo e colocaram em cena vozes indígenas, negras e periféricas. Conheça suas trajetórias e filmes essenciais.

O cinema brasileiro tem nome de mulher, e de muitas mulheres que, desde os anos 1960, vêm reescrevendo a história da sétima arte no país. As 7 diretoras brasileiras revolucionárias que apresentamos a seguir não apenas dirigiram filmes memoráveis: elas abriram frestas num mercado dominado por homens, levaram para a tela vozes indígenas, negras e periféricas, e provaram que a cena brasileira não cabe no palco italiano. Conheça suas trajetórias e descubra por que cada uma delas merece um lugar de destaque na sua lista de filmes.

## 1. Helena Solberg

Primeira mulher a dirigir um longa-metragem no Brasil, Helena Solberg estreou em 1969 com _A Entrevista_, documentário que já trazia a marca de seu olhar político e experimental. Carioca radicada nos Estados Unidos, ela construiu uma carreira que transita entre ficção e documentário, sempre com foco em questões sociais. Seu filme _Carmen Miranda: Bananas is My Business_ (1995) é referência para entender a construção da imagem da artista brasileira no exterior.

## 2. Adélia Sampaio

Adélia Sampaio é a primeira diretora negra do cinema brasileiro. Mineira de Belo Horizonte, ela dirigiu _Amor Maldito_ (1984), primeiro longa-metragem brasileiro com protagonismo lésbico, em plena ditadura militar. O filme enfrentou censura e dificuldades de distribuição, mas hoje é reconhecido como obra pioneira. Adélia atuou também como montadora e produtora, abrindo caminho para gerações de cineastas negras.

## 3. Suzana Amaral

Suzana Amaral ganhou projeção internacional com _A Hora da Estrela_ (1985), adaptação do romance de Clarice Lispector. O filme rendeu a ela o Urso de Prata no Festival de Berlim e consolidou sua carreira como diretora de atrizes, Marcélia Cartaxo, protagonista, também foi premiada. Paulistana, Suzana dirigiu ainda _Uma Vida em Segredo_ (2001) e _Hotel Atlântico_ (2009), sempre com um olhar sensível para personagens femininas complexas.

## 4. Lúcia Murat

Carioca, Lúcia Murat é uma das vozes mais consistentes do documentário político brasileiro. Presa política durante a ditadura militar, ela transformou essa experiência em filmes como _Que Bom Te Ver Viva_ (1989) e _O Pequeno Exército Louco_ (2015). Sua obra investiga a memória, a violência de Estado e as lutas sociais, com um rigor formal que a coloca entre as grandes documentaristas do país.

## 5. Laís Bodanzky

Laís Bodanzky dirigiu _Bicho de Sete Cabeças_ (2001), um dos filmes brasileiros mais impactantes sobre saúde mental, inspirado na história real do escritor Austregésilo Carrano. Paulistana, ela também realizou _As Melhores Coisas do Mundo_ (2010), que aborda a adolescência com sensibilidade. Sua carreira mostra como o cinema pode dialogar com temas urgentes sem perder a potência narrativa.

## 6. Anna Muylaert

Anna Muylaert é conhecida por _Que Horas Ela Volta?_ (2015), longa que expõe as relações de classe e trabalho doméstico no Brasil contemporâneo. O filme, estrelado por Regina Casé, foi um sucesso de crítica e público, vencendo prêmios em Sundance e Berlim. Paulistana, Anna começou na televisão e migrou para o cinema com uma obra que combina humor e crítica social.

## 7. Renata Martins

Renata Martins é uma das novas gerações de diretoras indígenas brasileiras. Com o curta _Travessia_ (2020), ela aborda a luta pela terra e a resistência do povo Krenak. Sua obra, ainda em construção, já aponta para um cinema que descentraliza o olhar e coloca a cosmologia indígena no centro da narrativa. Renata representa a renovação do cinema brasileiro fora do eixo Rio-São Paulo.

## Perguntas frequentes sobre diretoras brasileiras

### Quem foi a primeira diretora de cinema do Brasil?

Helena Solberg é considerada a primeira mulher a dirigir um longa-metragem no Brasil, com _A Entrevista_ (1969). Antes dela, poucas mulheres haviam dirigido curtas ou atuado como assistentes de direção.

### Qual diretora brasileira ganhou prêmio internacional?

Suzana Amaral ganhou o Urso de Prata em Berlim com _A Hora da Estrela_ (1985). Anna Muylaert também foi premiada em Sundance e Berlim com _Que Horas Ela Volta?_ (2015).

### Onde encontrar filmes de diretoras brasileiras?

Plataformas como Netflix, Amazon Prime, Globoplay e o serviço de streaming do Canal Brasil têm catálogos com obras dessas diretoras. Muitos filmes também estão disponíveis em festivais e mostras online.

### Quantas diretoras mulheres existem no Brasil?

Segundo dados da Ancine, as mulheres representam cerca de 20% dos diretores de longas-metragens no Brasil. O número vem crescendo, mas ainda há desigualdade de gênero no setor.

### Quais diretoras brasileiras são negras?

Adélia Sampaio é a primeira diretora negra do cinema brasileiro. Outras diretoras negras contemporâneas incluem Viviane Ferreira (_Um Dia com Jerusa_), Renata Martins e Jéssica Queiroz.

### Como apoiar o cinema feito por mulheres no Brasil?

Assista, compartilhe e comente filmes dirigidos por mulheres. Participe de mostras e festivais que valorizam a produção feminina, como a Mostra de Cinema de Mulheres e o Festival de Cinema Feminino de São Paulo.

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Fonte (canonical): https://www.teatrobrasileiro.com.br/analises-e-criticas/7-diretoras-brasileiras-revolucionarias-que-transformaram-o-cinema/
