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Literatura humaniza e leva à reflexão, diz Itamar Vieira Junior

ResumoItamar Vieira Junior encerra a Trilogia da Terra com Coração sem Medo, obra que aborda o desaparecimento de um filho. A literatura, segundo o autor, humaniza e conduz à reflexão crítica sobre a realidade social brasileira. A narrativa explora afetos e violências estruturais, consolidando o escritor como voz central na ficção contemporânea nacional.

Itamar Vieira Junior encerra a Trilogia da Terra com Coração sem Medo, sobre o desaparecimento de um filho. Em entrevista, ele defende a literatura como caminho para humanizar e levar à reflexão.

Rogério ItamarPublicado em Atualizado 3 min de leitura
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Escritor diz que literatura tem poder de humanizar e levar à reflexão

Itamar Vieira Junior encerra sua Trilogia da Terra com Coração sem Medo, livro que parte do desaparecimento de um filho para falar de desterro e desigualdade. Em entrevista à Agência Brasil, o escritor defende que a literatura humaniza e provoca reflexão, mesmo quando não oferece respostas.

O que a literatura pode fazer? Para Itamar, a arte devolve a vida e humaniza aquilo que parece desumanizado. A tarefa do romance, porém, não é responder: é incomodar. "Acho que sempre há caminhos. Tudo que a arte não faz é dar respostas", afirmou.

Coração sem Medo fecha trilogia sobre a terra

Coração sem Medo compõe a Trilogia da Terra, que começou com Torto Arado e passou por Salvar o Fogo. O novo romance traz Rita Preta, caixa de supermercado em Salvador, mãe de três filhos. Quando um deles desaparece, ela inicia uma jornada para descobrir o que aconteceu.

A personagem sai do campo para a capital baiana, fugindo de conflito fundiário, e encontra na cidade "um território desigual, que também vive em disputas". O corpo do filho desaparecido, diz o escritor, é também um território em disputa, como a terra dos romances anteriores.

Desaparecimento de pessoas: números que atravessam a ficção

O drama de Rita reflete uma realidade dura. No primeiro semestre deste ano, o Brasil registrou 43.828 desaparecimentos, média de 242 por dia. Em todo o ano passado, foram 85.232 casos, cerca de 234 por dia. Os dados são do Painel Estatístico do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça, e podem não refletir totalmente a realidade, já que muitos casos não são notificados.

Salvador e a violência que atinge as periferias

Itamar observa que o desaparecimento atinge todas as classes, mas se concentra em quem mais precisa de políticas públicas. "Vivemos em um estado que tem uma das polícias mais letais do país", disse. "E o que é que resta depois? Ela vai desistir da vida ou vai buscar por justiça?"

A literatura como caminho para a reflexão

Para o escritor, a imprensa trata essas histórias de forma superficial. "Quem trata dos sentimentos e das subjetividades humanas é a arte", afirmou. A literatura, acrescenta, "nos incomoda, e é a partir do incômodo que as mudanças vêm".

Trilogia da Terra: a terra como território e memória

Em Torto Arado, a terra é território e pertencimento. Em Salvar o Fogo, confronta-se com violência, fé e disputa pelo sagrado. Em Coração sem Medo, chega a uma Salvador urbana, "atravessada pelo deslocamento e pela violência contemporânea".

A terra que une os livros pode ser lugar físico, memória ancestral ou aquilo "que um povo carrega consigo mesmo quando já lhe arrancaram a própria terra".

Perguntas Frequentes

Quando Coração sem Medo foi lançado?

O livro foi apresentado na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), em Salvador, em palco ao ar livre lotado.

Quem é Rita Preta?

Rita Preta é a protagonista de Coração sem Medo, caixa de supermercado em Salvador, mãe de três filhos, que busca o filho desaparecido.

Coração sem Medo faz parte de qual trilogia?

Faz parte da Trilogia da Terra, que inclui Torto Arado e Salvar o Fogo.

Qual o tema central do novo livro?

O desaparecimento de um filho, possivelmente vítima de violência, e a busca por justiça em uma cidade desigual.

A literatura dá respostas?

Para Itamar Vieira Junior, não. A arte ajuda a refletir e incomoda, e é do incômodo que vêm as mudanças.

A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.

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