O filme Feito Pipa, do diretor Allan Deberton, vai representar o Brasil na disputa por uma indicação de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (16) pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Visuais, órgão responsável por escolher o título que leva o país à premiação.
A escolha veio depois de um funil seletivo. A Academia havia divulgado em 6 de setembro seis longas pré-selecionados. No total, 15 obras foram inscritas e habilitadas para concorrer à vaga brasileira.
Rodado em Quixadá, no sertão do Ceará, o longa acompanha Gugu, personagem de Yuri Gomes, um menino de 11 anos apaixonado por futebol que mora com a avó, Dilma, interpretada por Teca Pereira. Quando a saúde dela se fragiliza, ele tenta esconder a situação para não precisar se mudar para a casa do pai, Batista, papel de Lázaro Ramos, em Brasília.
O desempenho em festivais pesou. Feito Pipa foi o filme mais premiado da edição deste ano do Festival de Gramado. A estreia nacional está marcada para 5 de novembro, mas antes o longa passa pelo Festival do Rio, em outubro.
A presidente da Comissão de Seleção, Clélia Bessa, destacou a narrativa como ponto forte. "O filme Feito Pipa, de Allan Deberton, tem uma narrativa sensível que comunica universalmente e ao mesmo tempo traz uma forte identidade brasileira a partir de uma cidade do interior do Ceará", afirmou. Segundo ela, a obra trata de "família, cumplicidade entre avó e neto, infância, finitude" e já foi premiada em festivais internacionais importantes.
Nas redes sociais, Lázaro Ramos comemorou a escolha e defendeu o valor da produção nacional. "A emoção é gigante, porque dentro de tantos filmes bons que a gente teve esse ano (...) o 'Feito Pipa' foi selecionado para tentar esse caminho, que é um caminho que, na verdade, começa em casa, da gente mesmo valorizar o nosso cinema", escreveu o ator.
O Brasil já chegou à final de Melhor Filme Internacional em seis ocasiões. As mais recentes foram com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, e Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, que levou a estatueta pela primeira vez para o país.
O calendário da disputa ainda tem duas datas definidas. A shortlist oficial da categoria, com os 15 longas em língua não inglesa pré-selecionados, sai em dezembro, divulgada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. O anúncio dos cinco indicados finais está previsto para 21 de janeiro do ano que vem.
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