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Bodansky revisita carreira em novo documentário e destaca mudanças

ResumoJorge Bodansky, em "Um Olhar Inquieto", revisita a carreira com imagens inéditas de indígenas Paiter Suruí filmadas em 1973. O documentário, exibido no Bonito Cinesur, evidencia que a ocupação da Amazônia permanece um problema contemporâneo. A obra conecta passado e presente, revelando continuidades na exploração territorial e na resistência indígena.

Em 'Um Olhar Inquieto', Jorge Bodansky revisita a carreira a partir de imagens inéditas de indígenas Paiter Suruí, filmadas em 1973. A obra, exibida no Bonito Cinesur, mostra que a ocupação da Amazônia segue um problema atual.

Cláudio VeríssimoPublicado em Atualizado 4 min de leitura
Bodansky revisita carreira em novo documentário e destaca mudanças
Foto:Bodansky revisita carreira em novo documentário e destaca mudanças · Teatro Brasileiro

Um Olhar Inquieto: Bodansky revisita carreira e o passado da Amazônia

Em 1973, o cineasta Jorge Bodansky sobrevoava os arredores de Aripuanã (MT) a trabalho. Cinegrafista de uma TV alemã, ele registrava a criação da Cidade Laboratório de Humboldt, projeto idealizado pela ditadura militar brasileira para ocupar a Amazônia. O que ele não esperava era flagrar, por acaso, um grupo de indígenas Paiter Suruí isolados tentando flechar o avião.

Essas imagens, feitas com uma câmera Super-8, ficaram esquecidas no arquivo do cineasta por décadas. Recentemente, ao digitalizar o material, Bodansky se deparou com a cena e se perguntou: "Quem são esses indígenas?". Essa curiosidade o levou a revisitar toda a sua carreira e a produzir seu mais novo documentário, 'Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodansky'.

O ponto de partida: imagens esquecidas e a busca por respostas

A cena dos indígenas tentando flechar o avião não foi enviada para a TV alemã na época. Ficou guardada até a digitalização recente do acervo. O próprio cineasta admite que o objetivo do sobrevoo não era registrar os indígenas, mas eles apareceram e "subiram no telhado e tentaram flechar o avião". A imagem o intrigou e o levou a investigar quem eram aquelas pessoas.

Para responder a essa pergunta, Bodansky voltou à região das filmagens. Ele queria descobrir a identidade dos indígenas retratados casualmente e documentar como a paisagem havia mudado em cinco décadas.

Um filme autobiográfico que atravessa a história do Brasil

O processo de pesquisa acabou se tornando uma jornada pessoal. "No decorrer desse processo de pesquisar imagens eu acabei contando a minha história também", disse o cineasta. O resultado é um filme autobiográfico que narra uma história vivida por ele, mas que se conecta com a história recente do Brasil.

Passados 50 anos do sobrevoo, Bodansky afirma que sua forma de fazer cinema pouco mudou. "Eu sempre olho e procuro as coisas. Minha forma de me posicionar diante da imagem do cinema continua a mesma", explicou. Ele segue fazendo "cinema de aventura, de observação e preocupado com a questão social".

O que mudou: dos indígenas à paisagem

Se o olhar do cineasta permaneceu o mesmo, o mesmo não se pode dizer dos Paiter Suruí e da região. Muitos daqueles indígenas morreram por doenças ou violências quando começaram a ser contatados. O projeto Humboldt, por sua vez, estava em ruínas. A paisagem que aparecia nas imagens de 1973 jamais foi a mesma.

"Quando eu estive lá, era floresta até o horizonte. Hoje é soja até o horizonte", comparou Bodansky. A constatação vai além da nostalgia: para o cineasta, a exploração da Amazônia encampada pela ditadura militar ainda é um problema muito atual.

A ocupação da Amazônia como questão contemporânea

A câmera de Bodansky mostra que a forma de ocupação iniciada na ditadura militar não mudou. "Independentemente do governo que está de plantão, a forma de ocupar a Amazônia e de ver a Amazônia é a mesma", afirmou. Para ele, parte-se do princípio de que "não existe nada lá" e é preciso ocupar e fazer produzir, sem considerar que ali vivem pessoas que sabem o que querem e lutam por isso.

A solução, na visão do cineasta, passa pela organização da sociedade civil. "Hoje você vai a qualquer comunidade quilombola, ribeirinha ou indígena e eles estão organizados, têm representatividade, sabem o que querem", ressaltou.

Onde o documentário foi exibido

'Um Olhar Inquieto' foi exibido na mostra competitiva ambiental do Bonito Cinesur, festival de cinema que ocorreu na cidade de Bonito (MT). A obra integra um movimento de revisão crítica da história recente do país, usando o cinema como ferramenta de memória e reflexão.

Perguntas Frequentes

Quem é Jorge Bodansky?

Jorge Bodansky é um cineasta que começou a carreira como cinegrafista de uma TV alemã. Em 1973, durante um sobrevoo em Aripuanã (MT), filmou imagens inéditas de indígenas Paiter Suruí isolados.

O que é o documentário 'Um Olhar Inquieto'?

É um filme autobiográfico em que Bodansky revisita a carreira a partir das imagens dos indígenas Paiter Suruí. A obra foi exibida no Bonito Cinesur e aborda a ocupação da Amazônia.

O que aconteceu com os indígenas Paiter Suruí?

Muitos daqueles indígenas morreram por doenças ou violências quando começaram a ser contatados, segundo o cineasta. Ele evita dar spoiler no filme, mas afirma que é uma história conhecida.

Onde o filme foi exibido?

O documentário foi exibido na mostra competitiva ambiental do Bonito Cinesur, festival de cinema realizado em Bonito (MT).

Qual a principal mensagem do filme?

A principal mensagem é que a forma de ocupação da Amazônia iniciada na ditadura militar permanece inalterada, e a solução passa pela organização da sociedade civil.

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