O Brasil tem cerca de 94 milhões de leitores digitais, pessoas que nos últimos 12 meses usaram celular, notebook ou aparelho de leitura para acessar notícias, livros, audiolivros, PDFs e quadrinhos. A constatação é da pesquisa Perfil e Hábito do Leitor Digital Brasileiro, realizada pela Nielsen BookData, multinacional especializada no mercado editorial, e divulgada nesta quarta-feira (2).
A pesquisa, feita entre 1º e 11 de junho com 3 mil entrevistas de todas as classes e regiões, traça o perfil e os hábitos dos leitores. Os dados orientam políticas públicas e estratégias de mercado. Entre os perfis está o de Maria das Neves de Araújo Alves, a Nevinha, técnica de enfermagem e cuidadora de 60 anos, moradora de Valparaíso de Goiás. Ela passa ao menos três horas diárias em ônibus entre casa e trabalho, em Brasília, e lê romances e livros de ação no telefone. "Prefiro ler no telefone porque ele está sempre comigo e posso ler no ônibus, no posto de saúde, em quase todo lugar", contou à Agência Brasil. Ela mantém o hábito há quatro anos e escolhe os títulos na própria plataforma gratuita, que dispensa downloads e economiza dados móveis.
O celular é o principal dispositivo de acesso: 72% dos que leem e-books ou ouvem audiolivros o fazem por smartphone, e 85% dos que leem outros textos digitais também. O levantamento revela que 64% dos leitores digitais estão nas classes C (46%), D e E (18%); 29% na classe B e 7% na A. O público é predominantemente jovem adulto (18 a 44 anos), com 56% de mulheres. Brancos são metade; pardos, 37%; pretos, 11%; amarelos, 2%; indígenas, 0,2%.
Os conteúdos mais acessados foram notícias e livros digitais, seguidos de blogs e audiolivros. Seis em cada dez leitores de livros (61%) optaram pelo digital pela facilidade de acesso; 48% citaram a possibilidade de carregar vários livros num só aparelho; o preço menor que o do papel foi o terceiro motivo. Quase metade (48,8%) consumiu livros gratuitos em sites não oficiais, e 46,4% usaram plataformas institucionais, como a MEC Livros. Para Rodrigo Meinberg, executivo-chefe da Skeelo, que ajudou a viabilizar o estudo, as telas se tornaram aliadas na formação de leitores. Rafael Lunes, presidente do Instituto para a Democratização da Leitura Digital, vê a tecnologia como canal para romper barreiras físicas: "A tecnologia nos permite transformar as telas digitais de inimigas em aliadas deste processo". história do livro digital no Brasil políticas públicas de incentivo à leitura