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Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá

ResumoO escritor e educador André Gravatá defende que a poesia na infância alimenta a sensibilidade e a capacidade de espanto nas crianças. O livro "Pelos Olhos de Orides" (Hedra), com ilustrações de Cynthia Cruttenden, adapta a obra da poeta Orides Fontela para o público infantil, promovendo o contato precoce com a linguagem poética.

O poeta e educador André Gravatá defende que a poesia na infância alimenta a sensibilidade e a capacidade de espanto. O livro "Pelos Olhos de Orides" (Hedra) adapta a obra da poeta Orides Fontela para crianças, com ilustrações de Cynthia Cruttenden.

Rogério ItamarPublicado em Atualizado 4 min de leitura
Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá
Foto:Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá · Teatro Brasileiro

Poesia na infância alimenta sensibilidade, diz escritor André Gravatá

Segundo o poeta e educador André Gravatá, a poesia na infância alimenta a sensibilidade e a capacidade de espanto. Em entrevista à Agência Brasil, ele afirma que crianças que leem poesia encontram alimento para nutrir a sensibilidade, continuar brincando e se espantando.

O livro "Pelos Olhos de Orides" (Editora Hedra) adapta a obra da poeta Orides Fontela para o público infantil. Lançado em julho de 2026, a obra reúne literatura, arte e natureza, oferecendo às crianças possibilidades de contemplação e curiosidade, marcas dos poemas da autora.

Como a poesia de Orides Fontela chega às crianças

Orides parte de elementos simples e cotidianos, um pássaro, uma nuvem, uma flor, uma vaca, um caleidoscópio, para refletir sobre o mundo, o tempo e a espera. O organizador Augusto Massi afirma que a poesia de Orides compartilha com a infância uma mesma postura diante do mundo: o olhar investigativo e a liberdade de interpretação.

O que diz André Gravatá sobre poesia e infância

Gravatá, autor de livros infantis como "Converseiro da Natureza" (Companhia das Letras) e "Todo mundo rodopia enquanto rodopia o mundo" (Peirópolis), lembra de uma criança que lhe contou ter conversado com a água enquanto escovava os dentes. "O que é isso senão um poema vivido no corpo?", pergunta.

"Provocar a paixão pela literatura já na infância é fundamental", disse o poeta. Ele ressalta que as crianças amam ouvir poemas, especialmente quando quem apresenta a poesia tem paixão pelo que diz.

A ilustração como convite à interpretação

A ilustradora Cynthia Cruttenden explica que as imagens não são óbvias: exploram formas, cores e movimentos que levam a uma diversidade de interpretações. "Não tem uma figura tão clara, ela está meio escondida ali dentro. São formas com cores fortes e movimento", disse.

Para Augusto Massi, o projeto de ilustração foi "um acontecimento". Ele destaca que as figuras "querem sair do livro", com força para não ficar encaixadas.

Orides Fontela e a experiência ecológica

Massi conta que Orides passeava muito com o pai e pescavam juntos. "A pesca exige silêncio. E, quando você faz silêncio no meio da natureza, escuta o canto dos pássaros, o vento batendo nas folhas." Ele conclui: "Sem nenhum tom de denúncia, o livro da Orides é um livro ecológico."

O papel da Flip e do Instituto Motiva

O lançamento foi celebrado na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), onde Orides foi a autora homenageada. O evento contou com o Circuito Cultural, que levou cerca de 270 crianças e adolescentes das comunidades locais para participar do festival.

Direcionado a estudantes da rede pública e participantes de organizações sociais, o Circuito Cultural é um projeto do Instituto Motiva e ocorre em três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A iniciativa planeja atingir mais de 3 mil crianças e jovens ao longo de 2026.

"Ao conectar as crianças e os jovens a museus, festivais literários e espaços culturais, a gente busca ampliar repertórios, fortalecer o senso de pertencimento e contribuir para a formação de cidadãos mais críticos", disse Jéssica Trevisam, gerente do Instituto Motiva.

O Programa Educativo da 24ª Flip, que contempla Flipinha, FlipZona e FlipEduca, teve mais de 15 mil participações em atividades gratuitas realizadas ao longo de quatro dias em Paraty.

A relação afetiva com o livro

Para Gravatá, uma das prioridades de todo evento de literatura deveria ser provocar o interesse das crianças e jovens pela literatura. "Fortalecer os espaços educativos, com mais recursos e programação ampliada, faz diferença no presente e no futuro."

Ele relata: "Uma das cenas mais lindas que eu vi na Flip deste ano foi uma criança abraçada a um livro. Ela folheava as páginas com os olhos brilhando, o livro era um brinquedo na mão dela!"

Perguntas Frequentes

Por que a poesia na infância é importante?

Segundo André Gravatá, a poesia alimenta a sensibilidade e a capacidade de espanto, permitindo que a criança continue brincando e se maravilhando com o mundo.

Quem foi Orides Fontela?

Orides Fontela foi uma poeta brasileira, morta em 1998 aos 58 anos. Sua obra foi adaptada para a infância no livro "Pelos Olhos de Orides".

O que o livro "Pelos Olhos de Orides" oferece às crianças?

O livro reúne literatura, arte e natureza, com poemas que partem de elementos cotidianos para refletir sobre o mundo, o tempo e a espera, com ilustrações que estimulam a interpretação livre.

Como a Flip 2026 envolveu as crianças?

A Flip teve o Circuito Cultural, que levou cerca de 270 crianças da rede pública para atividades, e o Programa Educativo, com mais de 15 mil participações em atividades gratuitas.

Quem é André Gravatá?

André Gravatá é poeta, educador e autor de livros infantis como "Converseiro da Natureza" e "Todo mundo rodopia enquanto rodopia o mundo".

*Esta reportagem foi produzida com informações da Agência Brasil.

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