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Tragédia familiar causada pelo césio-137 é contada em documentário

ResumoO documentário Lourdes e Leide, dirigido por Angelo Lima, reabre a ferida do maior acidente radiológico do Brasil, o césio-137 em Goiânia. Filmado em 2025, o curta-metragem acompanha o cotidiano solitário de dona Lourdes, que perdeu a filha Leide, de 6 anos, em 1987, décadas após a tragédia.

O curta-metragem Lourdes e Leide, do diretor Angelo Lima, reabre a ferida do maior acidente radiológico do Brasil, o césio-137 em Goiânia. Filmado em 2025, o documentário acompanha o cotidiano solitário de dona Lourdes, que perdeu a filha Leide, de 6 anos, em 1987 e, décadas depo

Fábio RosenthalPublicado em Atualizado 4 min de leitura
Tragédia familiar causada pelo césio-137 é contada em documentário
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O maior acidente radiológico da história do Brasil, o vazamento de césio-137 em Goiânia, volta a ser denunciado em um curta-metragem que acompanha o cotidiano de uma mãe que perdeu a filha e, quase 40 anos depois, mais um filho. O documentário Lourdes e Leide, do diretor Angelo Lima, foi exibido no Festival Bonito CineSur, em Mato Grosso do Sul, e reabre a ferida de uma tragédia que, segundo o diretor, "poderia acontecer com qualquer um".

O que foi o acidente com o césio-137?

Em 13 de setembro de 1987, os catadores de lixo Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves entraram no prédio abandonado do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), no centro de Goiânia. Lá, encontraram um equipamento de radioterapia abandonado e o levaram para casa. Eles removeram o lacre da cápsula e encontraram um pó que emitia um intenso brilho azul no escuro: era o césio-137, material radioativo.

Sem saber da gravidade, eles venderam o material para um ferro-velho de Devair Alves Ferreira, que se encantou com a luminosidade e distribuiu o pó para familiares e amigos. O irmão de Devair, Ivo Ferreira, levou um pouco para a filha, Leide das Neves, que ingeriu as partículas. A menina de 6 anos morreu em 23 de setembro, enterrada em um caixão de chumbo de 700 quilos para conter a radiação que seu corpo ainda emitia. Além dela, outras três pessoas morreram entre quatro e cinco semanas após a exposição.

O documentário e a dor que não passou

Filmado no ano passado, o curta-metragem acompanha o cotidiano solitário de dona Lourdes, tomado pelas memórias da filha. Na última semana, ela perdeu mais um filho, Lucimar das Neves Ferreira, que tinha 14 anos quando o acidente ocorreu. Segundo o diretor, Lucimar foi internado na época e recebeu pensão do Estado, mas começou a beber e teve um enfisema pulmonar violento.

O presidente da Associação das Vítimas do Césio-137 (AVCésio), Marcelo Santos Neves, afirmou que a perda de Lucimar relembra os dias difíceis provocados pelo acidente. "Agora, a gente tem que dar o máximo de apoio possível, porque vai ser muito dolorido para ela", disse Neves, em vídeo publicado nas redes sociais da associação.

O que mudou (ou não) desde 1987

O diretor Angelo Lima é direto: "Eu sempre culpo o Estado. Eu não vou culpar os catadores, nem vou culpar a família. Essa é uma tragédia que eles não tinham dimensão do que era. E alguma coisa precisa ser feita para reparar esses danos." Para ele, em termos governamentais, nada mudou. "As pessoas esqueceram disso rapidamente, porque quiseram esquecer rapidamente. E não tiveram humanidade."

O curta foi exibido na noite de 27 de julho no Bonito CineSur, festival que segue até 1º de agosto na cidade de Bonito. Além da exibição, o festival promove uma exposição de fotos que ajuda a contar a história, incluindo imagens do enterro de Leide, quando, segundo o diretor, "chegaram a jogar pedras".

Perguntas Frequentes

O que foi o acidente com o césio-137 em Goiânia?

Foi o maior incidente radiológico do Brasil, ocorrido em 13 de setembro de 1987, quando dois catadores de lixo encontraram uma cápsula de césio-137 em um prédio abandonado e a levaram para casa, contaminando dezenas de pessoas.

Quantas pessoas morreram no acidente do césio-137?

Quatro pessoas morreram nas primeiras semanas após a exposição, incluindo a menina Leide das Neves, de 6 anos, que ingeriu partículas do material radioativo.

Onde posso assistir ao documentário Lourdes e Leide?

O curta-metragem foi exibido no Festival Bonito CineSur, em Mato Grosso do Sul. Ainda não há informações sobre distribuição ou exibição em outras plataformas.

Quem é o diretor do documentário sobre o césio-137?

O diretor é Angelo Lima, que conversou com a Agência Brasil após a exibição do filme no Bonito CineSur.

O que mudou no Brasil após o acidente com o césio-137?

Segundo o diretor Angelo Lima, em termos governamentais, nada mudou. Ele afirma que a sociedade brasileira precisaria estar mais preparada para enfrentar situações como essa.

Como a família de Leide foi tratada após o acidente?

A família sofreu estigma e discriminação. Segundo o diretor, as pessoas trancavam as portas quando viam a família, e eles tiveram que se mudar várias vezes. No enterro de Leide, chegaram a jogar pedras.

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