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Cais do Valongo terá museu em prédio histórico do Império

ResumoO Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, receberá um museu no Edifício Docas André Rebouças, prédio histórico do Império. A obra, orçada em R$ 77 milhões, terá duração de três anos e abrigará acervo de 1 milhão de peças. O cortejo do Afoxé Filhos de Gandhi marcou a entrega do edifício.

Cortejo do Afoxé Filhos de Gandhi marcou a entrega do Edifício Docas André Rebouças, que abrigará museu do Cais do Valongo. Obra de R$ 77 milhões deve durar três anos e acolher acervo de 1 milhão de peças.

Fábio RosenthalPublicado em Atualizado 2 min de leitura
Cais do Valongo terá museu em prédio histórico do Império
Foto:Cais do Valongo terá museu em prédio histórico do Império · Teatro Brasileiro

O Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, terá um museu em um prédio histórico do Império. Na terça-feira (18), um cortejo do Afoxé Filhos de Gandhi marcou a entrega do Edifício Docas André Rebouças, que será transformado em centro de interpretação da herança africana. O galpão fica em frente ao sítio arqueológico, separado por apenas uma rua.

O novo espaço será o Centro de Interpretação da Herança Africana do Cais do Valongo. A obra está orçada em R$ 77 milhões, com recursos do orçamento da União, e a previsão é de três anos de adaptação. O visitante terá acesso ao acervo de cerca de 1 milhão de itens encontrados no Valongo e áreas vizinhas da zona portuária, uma região conhecida como Pequena África.

O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Gusmão, afirma que o centro será uma forma de acolhimento. "É importante que essa narrativa sobre o sítio arqueológico e a importância dele para o Brasil e para o mundo seja contada também dentro desse prédio", diz.

O Cais do Valongo foi construído em 1811 e descoberto em 2011, durante obras de revitalização. O sítio é patrimônio cultural da Humanidade pela Unesco e reconhecido por lei federal como patrimônio histórico e cultural afro-brasileiro. Atualmente, a visitação é a céu aberto, com placas informativas.

O prédio, erguido em 1871, foi projetado por André Rebouças, primeiro engenheiro negro do país e abolicionista. O nome foi dado em 2025. No mesmo endereço, funcionarão o Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana e o Memorial André Rebouças.

O presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, afirma que o acervo deve superar 1 milhão de peças. "Vai ser ao longo de 20 anos, 30 anos, que vai se dizer o que tem", disse. Alguns itens já identificados incluem anéis, cachimbos, peças de vestuário e iscas de pesca.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, vê o centro como reparação. "Todo mundo, pretos, brancos e indígenas, precisa estar unido nesse processo", declarou. A região da Pequena África já é uma das mais visitadas por turistas, com pontos como o Quilombo da Pedra do Sal e o Cemitério dos Pretos Novos. Ao lado, a prefeitura constrói o Centro Cultural Rio-Áfricas.

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