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Jabuti Acadêmico 2026: vencedores revelados em São Paulo

ResumoA Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou os vencedores da 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico em cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Obras sobre crise climática, desigualdade social e ditadura militar destacaram-se entre as categorias premiadas. A seleção reconhece produções acadêmicas de excelência publicadas no Brasil.

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) revelou os vencedores da 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, em cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Obras sobre crise climática, desigualdade e ditadura militar estão entre as premiadas.

Cláudio VeríssimoPublicado em Atualizado 6 min de leitura
Jabuti Acadêmico 2026: vencedores revelados em São Paulo
Foto:Jabuti Acadêmico 2026: vencedores revelados em São Paulo · Teatro Brasileiro

Cerimônia em São Paulo revela vencedores do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou, na noite de terça-feira (11), os premiados da 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, em cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, na capital paulista. A premiação, criada em 2024, é voltada a obras acadêmicas, científicas e técnicas, e amplia a visibilidade de autores e editoras desses segmentos. Nesta edição, foram 27 categorias divididas em dois eixos: Ciência e Cultura e Prêmios Especiais.

A lista de vencedores reúne títulos que enfrentam desafios contemporâneos e questões históricas que ainda reverberam na atualidade, como crise climática, desigualdade social, ditadura militar e saberes tradicionais indígenas e africanos. Cada autor premiado recebeu a estatueta do Jabuti Acadêmico e um prêmio de R$ 5 mil. As editoras das obras também foram contempladas com a estatueta.

Obras premiadas: destaques por categoria

Na categoria Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais, venceu O jeito Yanomami de pendurar redes (Editora Perspectiva), de Thiago Benucci. O título aborda saberes tradicionais indígenas, um dos temas que a curadoria destacou nesta edição.

Em Economia, o prêmio foi para A loteria do nascimento: filha do porteiro termina universidade, mas não alcança filho do rico (Editora Jandaíra), de Fillipi Nascimento e Michael França. A obra discute desigualdade social a partir de trajetórias concretas, um contraste direto com o título anterior.

Na área de Ciências Agrárias e Ciências Ambientais, o vencedor foi Saúde do solo em ecossistemas tropicais: a base para mitigação e adaptação às mudanças climáticas (Editora Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz), assinado por Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, Carlos Roberto Pinheiro Junior, Lucas Pecci Canisares e Maurício Roberto Cherubin. O livro trata de um tema central para o debate ambiental brasileiro.

A categoria Ciências da Religião e Teologia premiou Brasil africano: orixás, sacerdotes, seguidores (Editora Pallas), de Reginaldo Prandi. Já em Comunicação e Informação, o 1º lugar ficou com Crime sem castigo: como os militares mataram Rubens Paiva (Editora Matrix), de Juliana Dal Piva, obra que revisita um episódio marcante da ditadura militar.

A lista completa dos premiados está disponível no site oficial do prêmio.

A força da pesquisa acadêmica brasileira

Para Sevani Matos, presidente da CBL, a edição celebra a produção acadêmica nacional. "É motivo de muita comemoração reconhecer obras de alta qualidade que evidenciam a força da pesquisa e da produção editorial acadêmica no Brasil", disse. "Os trabalhos refletem a diversidade de temas, perspectivas e contribuições que enriquecem o debate acadêmico e ampliam a produção de conhecimento."

A declaração aponta para um dos papéis do prêmio: dar visibilidade a obras que, muitas vezes, circulam apenas nos meios universitários. Com a premiação, autores e editoras ganham projeção nacional.

José Goldemberg: a Personalidade Acadêmica da noite

O grande homenageado da cerimônia foi o físico, professor e pesquisador José Goldemberg, anunciado pela CBL como a Personalidade Acadêmica desta 3ª edição. Ele esteve presente para receber a estatueta, em reconhecimento à sua trajetória científica, liderança acadêmica e contribuição para o desenvolvimento da ciência, das políticas públicas e da sustentabilidade.

Em seu discurso, Goldemberg traçou um panorama de sua formação. "Sou um produto típico da educação pública e laica do Brasil", afirmou. "Escola primária em Porto Alegre, ginásio no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, de forte influência positivista, para quem a ciência é o motor da história, e Universidade de São Paulo (USP), em 1945." Ele acrescentou que sua vocação científica se manifestou cedo, "pela curiosidade permanente de descobrir a causa das coisas, rejeitando explicações religiosas e metafísicas".

O professor contou que iniciou suas pesquisas em física nuclear na USP, com passagens pela Universidade de Stafford e pela Universidade de Paris, onde seus trabalhos tiveram ampla repercussão. "Após 20 anos dedicados inteiramente à pesquisa, comecei a participar ativamente das atividades da SBPC [Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência], em defesa da ciência e dos cientistas, no período do governo autoritário e obscurantista", lembrou. "Neste período, direcionei minha atenção para estudos sobre energia em geral, meio ambiente e mudanças climáticas."

Como reitor da USP, entre 1986 e 1990, Goldemberg tentou "recuperar o nível acadêmico e científico que ela havia tido e perdido no período autoritário". Ele também mencionou sua pesquisa em fontes de energia renováveis e biocombustíveis, área em que se tornaria referência mundial.

Um marco dessa trajetória foi a publicação, em 1988, do livro Energy for a Sustainable World (Energia para um mundo sustentável), escrito em colaboração com Robert Williams (Estados Unidos), Thomas Johansson (Suécia) e Amulya Reddy (Índia), durante pesquisas na Universidade de Princeton. A obra, publicada pela Wiley-Ester, "se tornou uma referência na área e impulsionou a transição energética no mundo todo", segundo o próprio homenageado.

Goldemberg encerrou seu discurso com uma mensagem coletiva: "Divido esse prêmio com cada colega, aluno e instituição que ousa acreditar que o futuro do Brasil se constrói com educação pública, ciência e coragem."

Segundo a CBL, ao longo de mais de sete décadas de atuação, o pesquisador consolidou-se como uma das principais referências da ciência brasileira e internacional, nas áreas de física, energia, meio ambiente e educação. A organização destacou que "seu trabalho foi decisivo para projetar internacionalmente o programa brasileiro de biocombustíveis, consolidando-o como referência mundial em transição energética e no desenvolvimento sustentável".

Entre os reconhecimentos recebidos por Goldemberg estão o Blue Planet Prize (Japão, 2008), considerado um dos mais importantes prêmios internacionais da área ambiental, e o Trieste Science Prize, da Academia Mundial de Ciências (TWAS), em 2010.

Mary Del Priore e o Livro Acadêmico Clássico

A noite também homenageou a obra História das Mulheres no Brasil, da historiadora, escritora e professora brasileira Mary Del Priore, como o Livro Acadêmico Clássico 2026. O objetivo da categoria é reconhecer obras de relevância permanente para a produção do conhecimento no país, destacando títulos que marcaram gerações de pesquisadores, estudantes e leitores. O título foi escolhido pela diretoria da CBL após consulta pública inicial.

Perguntas Frequentes

Quando foi a cerimônia do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico?

A cerimônia ocorreu na noite de terça-feira (11), no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, com anúncio dos vencedores pela CBL.

Quantas categorias teve o Jabuti Acadêmico 2026?

A edição contou com 27 categorias, divididas em dois eixos: Ciência e Cultura e Prêmios Especiais.

Qual o valor do prêmio para os autores vencedores?

Cada autor vencedor recebeu a estatueta do Jabuti Acadêmico e um prêmio de R$ 5 mil. As editoras também receberam a estatueta.

Quem foi o grande homenageado da noite?

O físico, professor e pesquisador José Goldemberg foi anunciado como a Personalidade Acadêmica da 3ª edição, em reconhecimento à sua trajetória científica e contribuições à ciência e à sustentabilidade.

O que é o Livro Acadêmico Clássico?

É uma homenagem a obras de relevância permanente para a produção de conhecimento no Brasil. Nesta edição, o título foi História das Mulheres no Brasil, de Mary Del Priore.

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