DF destina R$ 2,77 milhões para festival de cinema de Brasília
A Secretaria de Economia do Distrito Federal (Seec) confirmou, nesta terça-feira (11), o empenho de R$ 2,77 milhões para a organização da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O evento está agendado para ocorrer entre os dias 11 e 19 de setembro, na capital federal.
A confirmação foi dada à Agência Brasil um dia após a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, informar, nas redes sociais, que determinou à secretaria que providenciasse os recursos necessários para o festival. A decisão veio em meio a um clima de incerteza que mobilizou profissionais do audiovisual.
O anúncio e o contexto de pressão
A determinação de Celina Leão foi publicada depois que profissionais do audiovisual criticaram a falta de definição sobre a organização do evento. O diretor artístico do festival, Eduardo Valente, chegou a usar as redes sociais para lamentar o possível cancelamento.
Em uma das mensagens, Valente escreveu: "O que teremos para amanhã e depois? Difícil dizer, mas, seguramente, nem essa edição nem o futuro deste evento será determinado só por quem estava aqui lutando para organizá-lo. Teremos que ver o quanto as associações em geral, o setor do cinema, o público do DF e até, por que não, outros festivais de cinema do país estarão dispostos a se juntar nessa briga". O pedido era claro: união de todos os envolvidos com cinema para manter o evento.
Hoje, Valente voltou ao tema nas redes sociais. "Temos um festival para fazer em 30 dias [e] um anúncio de seleção em uma semana, mas tem muitas páginas", escreveu, sem dar mais detalhes.
A confirmação da Secretaria de Economia
Consultada pela Agência Brasil sobre a determinação da governadora, a Secretaria de Economia confirmou o empenho dos R$ 2,77 milhões destinados ao festival. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa ainda não divulgou detalhes do cronograma de pagamento.
O valor, embora represente um alívio para a organização, não elimina por completo as incertezas. A ausência de um calendário de repasses deixa em aberto como os recursos chegarão à produção do evento, que ocorre em menos de um mês.
Um festival com mais de meio século de história
Criado em 1965, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é o mais longevo do setor no Brasil. Ao longo das décadas, consolidou-se como um importante espaço de debate sobre os rumos do audiovisual brasileiro, reunindo cineastas, críticos e público em torno de uma programação que mistura mostras competitivas e discussões de política cultural.
A trajetória, porém, não foi linear. O evento só deixou de acontecer em dois anos, durante a ditadura militar (1964/1985). Em meio à crise sanitária da pandemia de covid-19 (2019/2023), foi realizado de forma virtual. Desde 2007, é considerado patrimônio imaterial do Distrito Federal.
Essa resiliência histórica ajuda a explicar a reação do setor diante da ameaça de cancelamento. Para quem acompanha o festival há décadas, a possibilidade de interrupção não era apenas uma questão logística, mas um símbolo do descaso com uma tradição cultural.
Números recordes e a força do audiovisual
A edição de 2026 recebeu número recorde de inscrições de filmes, com 1.928 obras pleiteando uma vaga. A exibição de mais de 80 filmes foi confirmada, o que representa o envolvimento de centenas de profissionais de todo o Brasil.
Os números reforçam a relevância do evento no calendário cultural do país. Mesmo com as dificuldades de financiamento, o festival segue atraindo produções de diferentes regiões, o que demonstra a vitalidade do cinema brasileiro contemporâneo.
Um diferencial em relação a outros festivais é que as obras selecionadas precisam ser inéditas. Os vencedores recebem o Troféu Candango, em homenagem aos pioneiros que construíram a capital.
O que esperar da edição de 2026
Com o empenho dos recursos, a organização do festival ganha fôlego para tocar a seleção e a logística. O anúncio de seleção, mencionado por Valente, deve ocorrer em uma semana. A expectativa é que a programação completa seja divulgada nos próximos dias.
Ainda há pontos em aberto, como o cronograma de pagamento e a confirmação de patrocínios adicionais. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa, responsável por esses detalhes, não se manifestou até o momento.
Para o público, a notícia é positiva: o festival, que já nasceu como um espaço de resistência cultural, deve ocorrer dentro do calendário previsto. Resta saber se a estrutura de exibição, que em anos anteriores incluiu sessões presenciais e virtuais, será mantida.
A força de um símbolo
O Festival de Brasília não é apenas uma mostra de filmes. É um ponto de encontro entre gerações, um termômetro da saúde do audiovisual nacional e um patrimônio que atravessou regimes políticos e crises sanitárias. A decisão de garantir os recursos, ainda que tardia, reafirma o lugar do evento na cena cultural brasileira.
A fala de Valente, que pedia união, encontra eco na história do festival. Em 1965, quando tudo começou, a ideia era criar um espaço para o cinema brasileiro se pensar. Seis décadas depois, o desafio permanece o mesmo: garantir que esse espaço continue existindo, mesmo quando os caminhos parecem incertos.
Perguntas Frequentes
Quando ocorre o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em 2026?
A 59ª edição está agendada para ocorrer entre os dias 11 e 19 de setembro, na capital federal.
Qual o valor destinado pela Secretaria de Economia do DF?
A Seec confirmou o empenho de R$ 2,77 milhões para a organização do festival.
Quem é o diretor artístico do festival?
Eduardo Valente é o diretor artístico e usou as redes sociais para lamentar o possível cancelamento e pedir união do setor.
O festival já foi cancelado alguma vez?
O evento só deixou de acontecer em dois anos, durante a ditadura militar (1964/1985). Na pandemia de covid-19, foi realizado de forma virtual.
Qual a premiação do festival?
Os vencedores recebem o Troféu Candango, em homenagem aos pioneiros que construíram a capital. As obras selecionadas precisam ser inéditas.
