# Ministério homologa tombamento de palacete histórico no Rio

> O Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado, no Rio de Janeiro, teve seu tombamento homologado pelo Ministério da Cultura por meio da Portaria 314/2026. A medida abrange o edifício e seus jardins e encerra processo em tramitação no Iphan desde 1990, garantindo proteção federal ao conjunto arquitetônico e paisagístico.

*Teatro Brasileiro · Bastidores · 14 de setembro de 2026 · Sirlene Damasceno*

O Ministério da Cultura homologou o tombamento do Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado e de seus jardins, no Rio de Janeiro. A decisão, publicada na Portaria 314/2026, encerra um processo que tramitava no Iphan desde 1990.

O Ministério da Cultura homologou o tombamento do Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado e de seus jardins, na cidade do Rio de Janeiro. A Portaria 314/2026, publicada nesta segunda-feira (14), formaliza a proteção definitiva do imóvel e encerra uma tramitação que corria no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1990.

A homologação segue decisão aprovada por unanimidade pelos integrantes do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, em junho. Com o ato, o palacete e seus jardins passam a produzir os efeitos previstos no Decreto-Lei nº 25, de 1937, principal marco legal de proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. O que muda, na prática, é o grau de proteção: antes, o casarão já havia sido tombado pelo município e pelo estado. Agora, a salvaguarda alcança a esfera federal.

O imóvel foi erguido entre 1900 e 1906 e dado de presente de casamento a Celina Guinle e Linneo de Paula Machado, este último fundador do Jockey Club Brasileiro. A construção reúne escadarias e estátuas de mármore, pisos em mosaico e um jardim descrito na fonte como uma das últimas áreas verdes da região. São mais de 1,1 mil metros quadrados e 30 cômodos.

Na decisão do Iphan, o então Palacete Linneo de Paula Machado passou a incorporar o nome de Celina Guinle, como forma de resgatar a figura dela. O palacete foi comprado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que restaurou o imóvel e construiu um anexo no terreno. O local abriga a Casa Firjan desde 2018.

A leitura fria do processo sugere menos uma novidade e mais um acerto de contas burocrático. Trinta e seis anos separam a abertura do processo da assinatura da portaria. Nesse intervalo, o palacete mudou de mãos, ganhou anexo, virou sede de instituição e recebeu proteção municipal e estadual antes de chegar à federal. O tombamento federal não cria usos novos nem altera a gestão atual do imóvel. Ele fixa o que já estava em curso: a preservação de características históricas, arquitetônicas e paisagísticas como obrigação legal, agora sob o guarda-chuva do Decreto-Lei de 1937.

Para quem acompanha a cena do patrimônio no país, o caso interessa menos pelo palacete em si e mais pelo que ele revela sobre o tempo da proteção. Um imóvel de famílias tradicionais da elite carioca, com projeto paisagístico e acervo arquitetônico, levou mais de três décadas para consolidar a proteção federal. A pergunta que fica é quantos outros processos seguem o mesmo ritmo no Iphan, e o que acontece com eles enquanto esperam.

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