# Morre o poeta e ativista Luis Turiba, aos 76 anos

> Luis Turiba, poeta, ativista cultural e jornalista baiano, faleceu aos 76 anos em Salvador (BA), na última terça-feira (25). A morte foi confirmada pela família, que ainda não divulgou informações sobre velório e sepultamento. Turiba dedicou a vida à literatura e à promoção da cultura afro-brasileira na capital baiana.

*Teatro Brasileiro · Bastidores · 26 de agosto de 2026 · Sirlene Damasceno*

Morreu ontem (25), em Salvador (BA), o poeta, ativista cultural e jornalista Luis Turiba, aos 76 anos. A família ainda não divulgou informações sobre velório e enterro.

O poeta, ativista cultural e jornalista Luis Turiba morreu ontem (25), em Salvador (BA), aos 76 anos, em casa, devido a complicações graves de saúde. A família ainda não divulgou informações sobre velório e enterro. Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma obra ampla, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais, como a letra da canção "Bico da Torre", musicada por Renato Matos e gravada por Zélia Duncan (então Zélia Cristina) e por Célia Porto.

Luiz Artur Toribio, ou simplesmente Turiba, nasceu no Recife (PE), em 1950, mas mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde tornou-se militante do movimento estudantil. Ex-membro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), foi impedido de terminar seus estudos na Escola Técnica Nacional Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ) durante a ditadura civil-militar (1964/1985). Prestes a completar 18 anos, foi preso por determinação da Justiça Militar, que o condenou a seis meses de prisão por alegada participação em "atividades subversivas". Segundo ele, ao ser detido, agentes do antigo Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), órgão de repressão subordinado ao Exército, o torturaram física e psicologicamente.

Lançou seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, em 1977. Ainda no Rio de Janeiro, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais. Entre 1985 e 2022, editou, em Brasília, a revista cultural Bric-a-Brac, que extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Nise da Silveira e Manoel de Barros.

Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a documentação que ele reuniu comprova que, durante a ditadura, foi perseguido por razões políticas, monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas. Após anos como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se à literatura. Vivendo em trânsito entre Rio, Bahia e Brasília, amigos se mobilizam para homenageá-lo com um encontro no bar e restaurante Beirute, neste sábado (29) à tarde. Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal lamentou o falecimento, chamando-o de "ícone inestimável da nossa imprensa e da cultura local".

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