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Projeto aproxima comunidades de equipamentos culturais em Salvador

ResumoO Circuito Cultural, do Instituto Motiva, levou moradores de Águas Claras à Flipelô e a museus do centro histórico de Salvador pela primeira vez. A iniciativa amplia o acesso à cultura para comunidades e estudantes, promovendo visitas guiadas a equipamentos culturais. O projeto reduz a distância entre periferias e o circuito artístico da capital baiana.

Moradores de Águas Claras visitaram a Flipelô e museus do centro histórico de Salvador pela primeira vez, por meio do projeto Circuito Cultural, do Instituto Motiva. Iniciativa quer ampliar o acesso à cultura para comunidades e estudantes.

Fábio RosenthalPublicado em Atualizado 6 min de leitura
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Projeto aproxima comunidades de equipamentos culturais em Salvador

Moradores de Águas Claras, em Salvador, conheceram o centro histórico da cidade e a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) pela primeira vez, no sábado (8). O passeio integrou o projeto Circuito Cultural, uma iniciativa privada criada pelo Instituto Motiva, que promove visitas gratuitas a instituições culturais.

O grupo incluía mulheres com mais de 60 anos que frequentam a Biblioteca Comunitária Condor Literário. Entre elas, Soraia Santos Pinto, 61 anos, moradora de Águas Claras. Depois de passar por um quadro de depressão, ela começou a frequentar a biblioteca comunitária, onde hoje tem aulas de boxe, capoeira e dança. Pelo projeto, Soraia visitou a Flipelô, a Fundação Casa de Jorge Amado e o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), instituições onde nunca havia pisado antes.

O que é o Circuito Cultural?

O Circuito Cultural é um projeto do Instituto Motiva, da iniciativa privada, que leva estudantes da rede pública e participantes de organizações sociais para visitas gratuitas a algumas das principais instituições culturais de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. A ação de sábado (8) foi a primeira edição em Salvador, levando moradores de Águas Claras à Flipelô e a equipamentos culturais do centro histórico.

Segundo o Instituto Motiva, a iniciativa surgiu diante de um cenário em que o acesso a equipamentos culturais pela população no Brasil ainda é limitado e desigual.

Por que o acesso à cultura é desigual?

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que menos de um terço dos municípios brasileiros conta com museus, e a visitação a esses espaços é concentrada entre as faixas de maior renda. A edição 2025 da pesquisa Hábitos Culturais, realizada pelo Observatório Fundação Itaú, também apontou que apenas 16% dos brasileiros visitaram um museu nos últimos 12 meses e que 13% participaram de festivais literários, sinalizando um baixo nível de consumo de cultura pela população brasileira.

Esse cenário explica, em parte, a dificuldade de moradores de bairros periféricos de acessarem a produção cultural da cidade. Águas Claras, por exemplo, fica a cerca de 25 minutos do centro histórico de Salvador, mas muitos moradores relatam barreiras práticas para fazer esse trajeto.

O relato de quem participou

Maian Oliveira, 36 anos, participou do passeio com seus três filhos e conheceu o Muncab pela primeira vez. Em entrevista à Agência Brasil, ela contou que dificilmente consegue levar as crianças para o centro histórico de Salvador para um roteiro cultural ou acessar os equipamentos culturais.

"No dia a dia é mais difícil trazer as crianças. Quando se tem mais de duas crianças, se torna ainda mais difícil porque o transporte fica um pouco complicado", disse.

Para Soraia, a experiência abriu novos horizontes: "A gente tem que fazer isso mais vezes. Isso abre o nosso entendimento. Isso é cultura e é bom para a gente. Eu amei. Tem pessoas que nunca tinham vindo no Pelourinho, nunca estiveram aqui. Eu acho que eles deviam fazer isso com a maioria da comunidade, levar a cultura ou trazer o povo até a cultura, já que a cultura não vai nas periferias".

Águas Claras: uma comunidade em transformação

Aline Dias, articuladora territorial do bairro de Águas Claras, explica que a comunidade vive muito dela mesma, em rede, com organizações que se apoiam. "É uma comunidade que tem aspectos muito tradicionais, porque por muito tempo ficou à margem da cidade", afirmou.

Essa situação começou a mudar com a chegada do metrô e a construção de uma rodoviária, que ampliaram as ações sociais e culturais no bairro. Aline observa uma mudança no comportamento da comunidade: "Tenho visto uma certa mudança no comportamento da própria comunidade. Primeiro sobre a autoestima da comunidade em relação à cidade. Agora ela já começa a ter mais coragem e confiança para poder expor o que acontece de bom por lá".

Apesar das muitas ações sociais e culturais desenvolvidas no bairro, como a biblioteca comunitária, Aline defende que ainda é preciso criar políticas públicas para ampliar o acesso das comunidades à cultura. "Precisamos pensar em iniciativas que valorizem ou que deem vazão ao que acontece na comunidade", ressaltou.

"Por mais que elas não participem de feiras literárias, elas vislumbram feiras e querem reproduzir isso em suas comunidades também, porque elas entendem que a literatura é muito importante e que ela é um espaço para retratar as suas vivências e a sua cultura", diz a articuladora.

O papel da iniciativa privada

O passeio de sábado (8) foi possível por meio de um projeto da iniciativa privada, criado pelo Instituto Motiva, chamado Circuito Cultural. A iniciativa pretende ampliar o acesso à cultura para estudantes da rede pública e participantes de organizações sociais, promovendo visitas gratuitas a algumas das principais instituições culturais de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

"Nosso maior desejo com essa ação foi, primeiramente, quebrar essa barreira do acesso. E, segundo, a gente entende que a cultura é realmente uma ferramenta poderosíssima de transformação social, de educação e de ampliação de repertório", disse Ariane Teles, especialista do Instituto Motiva.

A Flipelô não era, até então, parte do repertório da cidade, segundo Aline. "Águas Claras estava muito à parte do que estava acontecendo. Então essa [atividade de sábado] foi uma grande oportunidade. As pessoas estão muito felizes", disse.

O que muda na próxima temporada

A expectativa é que o Circuito Cultural continue ampliando o acesso à cultura em Salvador e em outras capitais. Com o investimento em comunidades, Aline acredita que as esferas literárias vão aumentar: "Se houver investimento nas comunidades, a gente vai aumentar as esferas literárias. As comunidades têm muito a falar, tem muito a escrever".

A população também quer participar de ações que são desenvolvidas fora de seus territórios, reforçou Aline. O passeio de sábado foi uma demonstração prática de como a aproximação entre comunidades e equipamentos culturais pode gerar novos repertórios e fortalecer a autoestima local.

Perguntas Frequentes

O que é o projeto Circuito Cultural?

É um projeto do Instituto Motiva, da iniciativa privada, que promove visitas gratuitas a instituições culturais de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, para estudantes da rede pública e participantes de organizações sociais.

Quem pode participar do Circuito Cultural?

Estudantes da rede pública e participantes de organizações sociais, como moradores de comunidades que integram projetos culturais locais.

Onde o Circuito Cultural já atua?

O projeto promove visitas a instituições culturais em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

Como o acesso à cultura é desigual no Brasil?

Segundo o IBGE, menos de um terço dos municípios brasileiros tem museus, e a visitação é concentrada entre as faixas de maior renda. A pesquisa Hábitos Culturais 2025 apontou que apenas 16% dos brasileiros visitaram um museu nos últimos 12 meses.

Qual foi o impacto do passeio em Águas Claras?

Moradores conheceram a Flipelô, a Fundação Casa de Jorge Amado e o Muncab pela primeira vez, ampliando o repertório cultural e fortalecendo a autoestima da comunidade.

Este conteúdo foi produzido a partir de reportagem da Agência Brasil. A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.

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