# Paulo Betti defende regulamentação de streamings no Bonito CineSur

> Paulo Betti defendeu a regulamentação de streamings no Brasil durante o encerramento do Bonito CineSur. O ator citou direitos autorais e a necessidade de investimento no audiovisual nacional. O projeto de lei em tramitação no Congresso prevê a cobrança da Condecine e cotas de conteúdo brasileiro nas plataformas digitais.

*Teatro Brasileiro · Streaming · 03 de agosto de 2026 · Rogério Itamar*

No encerramento do Bonito CineSur, Paulo Betti defendeu a regulamentação de streamings no Brasil, citando direitos autorais e a necessidade de investimento no audiovisual nacional. O projeto de lei em discussão no Congresso prevê Condecine e cotas de conteúdo brasileiro.

## No Bonito CineSur, Paulo Betti defende regulamentação de streamings

Na noite de sábado (1º), em Bonito (MS), a cerimônia de encerramento do festival de cinema Bonito CineSur trouxe à tona uma discussão que atravessa o audiovisual brasileiro: a regulamentação das plataformas de streaming. O ator Paulo Betti, presente ao evento, defendeu a necessidade de regras claras para o setor, com foco em direitos autorais e na proteção da indústria nacional.

## O que Paulo Betti disse sobre streamings?

Paulo Betti foi direto ao ponto: os streamings precisam remunerar os criadores. "Eu acho que nós tínhamos que cuidar dos nossos direitos autorais para que, quando alguma coisa nossa passar, nós recebamos algo. É preciso haver uma remuneração", afirmou o ator, em entrevista a jornalistas.

A declaração não ficou apenas na defesa dos artistas. Betti também cobrou uma participação mais ativa das plataformas na produção nacional. "O streaming não pode entrar aqui e não pagar nada, não ter nenhum imposto, não ter nenhuma retribuição para a nossa indústria. É preciso proteger o nosso cinema, o nosso audiovisual", completou.

## A defesa de uma proteção cultural mais ampla

Para o ator, a proteção não deveria se limitar ao cinema. "Tem que haver um incentivo e tem que haver leis que protejam o cinema, a arte, a cultura, o museu e nossos bens culturais", disse. A fala conecta a discussão sobre streamings a um debate mais amplo sobre políticas públicas para a cultura no Brasil.

## O que está em jogo no Congresso Nacional?

Atualmente, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que prevê a regulamentação das plataformas de streaming. O texto, que ainda está em discussão, estabelece dois pontos centrais: o pagamento da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine) pelas empresas de streaming no Brasil e a criação de cotas para conteúdo brasileiro nos serviços de vídeo sob demanda.

Além disso, a proposta prevê o estímulo à oferta de produções independentes. O impacto para o consumidor, caso o projeto avance, é duplo: por um lado, a possibilidade de um catálogo mais diverso, com mais espaço para o cinema nacional; por outro, a dúvida sobre como esses custos serão repassados ao preço das assinaturas.

## Bonito CineSur: o palco da discussão

O festival, que ocorre na cidade de Bonito (MS), também teve sua noite de premiação. O júri oficial escolheu o filme paraguaio "¿Quién Mató a Narciso?" como o melhor longa sul-americano. A obra é baseada no livro "Narciso", inspirado no assassinato de Bernardo Aranda, um locutor de rádio homossexual que amava rock and roll e foi queimado enquanto dormia, em 1959.

O crime nunca foi solucionado, mas a Comissão da Verdade e Justiça paraguaia aponta que o assassinato pode ter sido tramado pelo governo militar. A escolha do júri, portanto, não é apenas estética: é também política, ao colocar em evidência uma história de violência e silenciamento que dialoga com os debates sobre direitos e memória.

## O que isso significa para o consumidor de streaming?

A defesa de Paulo Betti não é uma pauta apenas de artistas. Ela toca diretamente em como o público brasileiro consome conteúdo audiovisual. Se a regulamentação avançar, o consumidor pode ver um aumento na oferta de produções nacionais, mas também precisa estar atento a possíveis reajustes nos planos.

A discussão, porém, não é nova. O cinema brasileiro sempre disputou espaço em um mercado dominado por produções estrangeiras, e a chegada das plataformas digitais só intensificou esse desafio. A pergunta que fica é: como equilibrar a liberdade de escolha do público com a necessidade de sustentar uma indústria local?

## Um olhar crítico sobre a pauta

Defender o cinema nacional não significa aplaudir tudo o que é produzido. A regulamentação precisa vir acompanhada de critérios de qualidade e de uma distribuição justa dos recursos. Sem isso, corre-se o risco de criar um mercado protegido, mas pouco competitivo.

A fala de Betti, nesse sentido, é um convite à reflexão. Ele não pede favores, pede regras. E é exatamente essa a diferença entre protecionismo e política cultural.

## Perguntas Frequentes

### O que é a Condecine?

A Condecine é a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, um tributo que incide sobre a veiculação de obras audiovisuais. O projeto de lei em discussão prevê que as empresas de streaming passem a pagá-la no Brasil.

### O que são as cotas de conteúdo brasileiro?

As cotas são percentuais mínimos de obras nacionais que os serviços de vídeo sob demanda precisariam oferecer em seus catálogos. A ideia é garantir espaço para a produção brasileira.

### Como a regulamentação afeta os preços das assinaturas?

Não há definição sobre repasse de custos. Especialistas divergem, mas é possível que parte do valor da Condecine seja incorporada aos planos. O consumidor deve acompanhar o andamento do projeto.

### O que o Bonito CineSur tem a ver com essa discussão?

O festival foi o palco da declaração de Paulo Betti e também premiou um filme que aborda um crime de 1959, mostrando que o audiovisual sul-americano está atento a temas de direitos humanos e memória histórica.

*Repórter viajou a convite do Bonito CineSur.

---

Fonte (canonical): https://www.teatrobrasileiro.com.br/streaming/bonito-cinesur-paulo-betti-defende-regulamentacao-streamings/
