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Calila das Mercês lança livro e celebra literatura no interior

ResumoCalila das Mercês lança Nódoa, primeiro romance da escritora, e celebra a produção literária do interior brasileiro. A obra marca a estreia ficcional da autora, que também atua como curadora do Fliparacatu 2026, evento que homenageia Milton Santos e Guimarães Rosa. O lançamento reforça o protagonismo de vozes regionais no cenário nacional.

Calila das Mercês lança Nódoa, seu primeiro romance, e celebra a literatura feita no interior. A escritora é curadora do Fliparacatu 2026, que homenageia Milton Santos e Guimarães Rosa.

Cláudio VeríssimoPublicado em Atualizado 2 min de leitura
Calila das Mercês lança livro e celebra literatura no interior
Foto:Calila das Mercês lança livro e celebra literatura no interior · Teatro Brasileiro

Calila das Mercês lançou em julho Nódoa, seu primeiro romance, pela Companhia das Letras. A pesquisadora, jornalista e escritora é uma das curadoras da quarta edição do Festival Literário de Paracatu, cidade mineira a 500 quilômetros de Belo Horizonte (MG). O evento ocorre de 26 a 30 de agosto de 2026, no Centro Histórico, com entrada gratuita.

Neste ano, o tema Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo propõe uma conversa entre dois pensadores do Brasil profundo: Milton Santos, cujo centenário foi comemorado em maio, e João Guimarães Rosa, que apresentava ao mundo o seu Grande Sertão: Veredas há 70 anos. Calila divide com Milton o lugar, o território e o interior da Bahia. "A gente está homenageando também meu conterrâneo, que é o Milton Santos, que marcou sua existência, no Brasil e no mundo, trazendo discussões que nos são muito caras", afirma.

A curadoria é assinada por Calila ao lado de Sérgio Abranches e Afonso Borges, idealizador e presidente do festival. A escritora, que já assinou eventos literários em Cachoeira (BA) e em Cavalcante (GO), celebra a realização desses encontros pelo interior do Brasil, mas demonstra preocupação com o manejo dessas festas e com o risco de que se tornem palanques políticos. "Acho que o grande desafio é a gente produzir uma ideia de que o pensamento não chega de fora. Ele não, necessariamente, chega dos grandes centros", defende.

Nódoa, narrado por Regina e por Lurdes Maria, foi todo escrito em movimento. "Eu escrevi dentro do ônibus, eu escrevi em uma rodoviária, escrevi no barulho, escrevi com mudança", lembra Calila. Nesse processo, ela foi quatro vezes ao rio São Francisco e visitou o maior cajueiro do mundo. O livro também é pensado na forma, na materialidade da escrita, em maiúsculas e minúsculas, para traduzir cada personagem. "Uso muito silêncio nas páginas", explica.

Entre os nomes que passam por Paracatu este ano estão Mia Couto, Alê Santos, Bruna Lombardi, Eliana Alves Cruz, Jeferson Tenório, Jeovanna Vieira, Paulliny Tort e Renato Nogueira. Para Calila, o festival consegue criar condições de integrar pessoas e promover conversas surpreendentes, respeitando a literatura produzida na cidade. As nódoas, diz ela, deixam marcas que ficam e que são importantes.

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