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Flip 2026: evento de abertura define Orides Fontela como poeta universal

ResumoA 24ª Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) de 2026 teve sua abertura dedicada à poeta Orides Fontela. O crítico Augusto Massi definiu Orides Fontela como poeta universal, destacando a união entre fragilidade e força, lucidez e alucinação em sua trajetória. A mesa contou com a participação da poeta Marília Garcia.

Na abertura da 24ª Flip, o crítico Augusto Massi define Orides Fontela como poeta universal, destacando sua trajetória que une fragilidade e força, lucidez e alucinação. A mesa contou com a poeta Marília Garcia.

Sirlene DamascenoPublicado em Atualizado 4 min de leitura
Flip 2026: evento de abertura define Orides Fontela como poeta universal
Foto:Flip 2026: evento de abertura define Orides Fontela como poeta universal · Teatro Brasileiro

Flip 2026: evento de abertura define Orides Fontela como poeta universal

A 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) abriu sua programação na noite dessa quarta-feira (22) com uma mesa que definiu a poeta Orides Fontela como "poeta universal". A declaração é do crítico literário Augusto Massi, amigo e editor da escritora, que falou ao auditório lotado. A poeta Marília Garcia também participou da mesa.

"Orides Fontela é uma poeta universal. Muitas vezes, a gente perde a dimensão diante do anedotário que envolve a Orides. Eu queria só sintetizar que ela é frágil e forte. Ela é alucinada e lúcida. Ela não é um sim, nem um não, mas é um sim que traz o não no seio", afirmou Massi.

A trajetória de Orides Fontela na visão de Augusto Massi

Massi, crítico literário e professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP), conduziu o público por uma travessia literária, como quem "leva o leitor pela mão" para cruzar uma ponte até o outro lado de um rio, onde a poesia de Orides se revela.

Elementos que atravessam a obra

Na apresentação, Massi destacou os elementos que marcam o trabalho da escritora: a formação católica, a cultura greco-romana, os estudos em filosofia e a experiência no zen budismo, que abriu influências do Oriente em sua poesia.

Os cinco livros publicados

Ao longo da carreira, Orides publicou cinco livros de poesia: Transposição (1969), Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986) e Teia (1996). Com Alba, que tem prefácio do crítico Antonio Candido, ela ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Poesia.

A virada em "Rosácea"

"Em Rosácea, vem um poema muito conhecido dela, dos mais antológicos. Ela começa um caminho novo, não só pela [influência do zen budismo], mas é a primeira vez que ela fala da vida pessoal dela", relatou Massi. Ele citou o poema Herança, onde a poeta lista objetos "da avó materna", "do pai" e "da mãe": um martelo, duas chaves, um caldeirão e um lenço.

"Não tem verbo, são coisas. É uma herança concreta de alguém de uma família pobre. É como se dissesse: 'a pobreza, na Orides, é a sua riqueza'. Tudo que ela reduz vira alguma coisa que se irradia de sentido", concluiu Massi.

A poesia visual e plástica

Massi ressaltou a relevância da pontuação e dos sinais gráficos na construção dos poemas. "O gosto da Orides é por uma poesia visual e plástica, o gosto pela imagem." Como exemplo, citou o poema São Sebastião, onde o travessão funciona como as setas que atravessam o corpo do texto.

O último livro: "Teia"

O último livro, Teia, foi publicado dez anos depois de Rosácea. "Ela demorou para fazer esse livro, é um livro em que ela parece que sente o fim, ela sente que a morte está chegando para ela", relatou Massi. Ele fez um contraponto entre os poemas Teia e Coruja (de Rosácea): "Não é mais a coruja, que é a caçadora, que é aquela que vai e abate. Essa poética ferina e cruel da primeira Orides. Essa teia é outra, ela fala que 'arma, armadilha' e que no centro da teia 'a aranha espera'."

O último poema: "Estrela da Tarde"

Ao fim da apresentação, Massi citou o último poema publicado em vida por Orides: Estrela da Tarde. "Agora que ela vai morrer, que ela sabe que vai morrer, ela está escolhendo a estrela da tarde, a que brilha mais forte. E é uma que não precisa nem da alba [amanhecer], nem da noite. Ela é a primeira a brilhar antes da noite chegar e com muita intensidade."

A Flip 2026 segue com extensa programação cultural até domingo (26), em diversos espaços no centro histórico de Paraty.

*A equipe de reportagem viajou a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2026.

Perguntas Frequentes

Quem é Orides Fontela?

Orides Fontela é a poeta homenageada da 24ª Flip, definida pelo crítico Augusto Massi como "poeta universal".

Quantos livros Orides Fontela publicou?

Ela publicou cinco livros de poesia: Transposição (1969), Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986) e Teia (1996).

Orides Fontela ganhou o Prêmio Jabuti?

Sim, ela ganhou o Prêmio Jabuti na categoria Poesia com o livro Alba.

Qual foi o último poema publicado por Orides Fontela?

O último poema publicado em vida foi Estrela da Tarde, do livro Teia.

Quem participou da mesa de abertura da Flip 2026?

A mesa de abertura contou com o crítico literário Augusto Massi e a poeta Marília Garcia.

Até quando vai a Flip 2026?

A programação da 24ª Flip vai até domingo (26), em diversos espaços no centro histórico de Paraty.

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